O mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar

Enviada em 01/08/2020

No seriado norte americano, “Todo Mundo Odeia o Chris” o espectador acompanha o dia a dia de um estudante negro em uma escola de maioria branca. Nessa trajetória, Chris, o protagonista, tem de enfrentar o preconceito proferido por seus colegas em relação à sua cor, com destaque a um colega específico: Caruso. Esse, além de injuriá-lo, também o agride fisicamente. Mas, há um episódio em que Chris responde às provocações valendo-se da força, o que corrobora o pensamento de Epicuro: “A violência só gera violência”. Embora se tratando de ficção, quando o convívio escolar é investigado, sobretudo no Brasil, constata-se o crescente mau comportamento e agressividade de alunos para com seus colegas e mestres, explicitando um grave problema de conduta social presente no ambiente em questão.

Primeiramente, cabe ressaltar que a boa conduta do sujeito é construída, principalmente, durante a adolescência. Conforme a teoria de Piaget, sobre os estágios do desenvolvimento cognitivo, na etapa de desenvolvimento operacional formal, iniciado aos onze anos e que perdura por toda a vida adulta, os indivíduos usam da lógica para compreender o mundo ao seu redor. Ou seja, a fase estudantil coincide com a construção da índole da pessoa. Dessa forma, os desentendimentos, principalmente, entre alunos, seja por discordância de opiniões ou gerados pelo famigerado bullying, tornam-se frequentes.

Além disso, a má relação de alunos com professores também é um fator gerador de conflitos, pois, os docentes, muitas vezes, não têm preparo para lidar com tantas condutas diferentes, usando, ocasionalmente, a rudez como maneira de solucionar os problemas, e impor respeito. Contudo, esse comportamento acaba por despertar a ira de alguns discentes, o que certifica o pensamento de Paulo Freire em seu livro Pedagogia do Oprimido: “Quando a educação não é libertadora o sonho do oprimido é ser o opressor”, ou seja, não havendo respeito de um lado, o outro, seguindo o exemplo, tenderá aos excessos comportamentais também.

Portanto, para que haja um comportamento satisfatório que beneficie todos os frequentadores do ambiente escolar, cabe ao Ministério da Educação desenvolver junto às Secretarias de Educação de cada estado projetos voltados ao aprimoramento comportamental em ambiente escolar, por meio da implementação de rodas de conversas de alunos com psicólogos, bem como, consultas individuais gratuitas, e, quando necessário, punições em forma de trabalho socioeducativo para aqueles que insistem em infringir a boa conduta social. Dessa forma, o ambiente escolar será mais produtivo, e o tempo gasto na solução de conflitos, será convertido na construção de laços de amizade e conhecimento.