O mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar
Enviada em 07/08/2020
Há poucos anos, o Brasil fora impactado pelos massacres de Suzano e do Realengo, os quais, longe de serem fatos isolados, concretizaram mais duas vezes em escolas a violência simbólica descrita por Pierre Bourdieu. De fato, essa realidade deita raízes na história tupiniquim, cujo parâmetro de comportamento fora guiado pelo descaso do Estado na educação e pela cultura social dos valentões. Logo, não é de se espantar que essa indesejada conduta fosse repetida por alunos em ambiente escolar.
Em primeiro lugar, consoante dito por Charles de Gaulle, é importante lembrar que o Brasil não é sério, principalmente na educação. Corrobora a assertiva a trajetória republicana (1889-1988), quando os políticos negligenciaram o ensino público com medo de armar a população contra as oligarquias cafeeiras, populistas e militares. Em seguida, sucatearam as escolas públicas, de acordo com a cartilha do neoliberalismo do Consenso de Washington. Logo, esses dirigentes formaram cidadãos desprovidos de senso crítico e sem estruturas informacionais para a criação de seus filhos.
Ademais, durante todo esse período, não faltaram maus exemplos que construíram o ideário de violência na sociedade, afinal houve severos mandonismos de coronéis, jagunços e cangaceiros. Essas pessoas não usaram a palavra para negociar, como Antônio Conselheiro ou o marujo João Cândido, mas, sim, lideraram com a pólvora. Nesse caso, cristalizou-se na educação infantil, transmitida na cultura familiar, a ideia de que o mais forte prevalece, o que é ecoado nas escolas brasileiras atuais.
Portanto, se o Brasil quiser reverter a cultura de violência no ambiente escolar, ou ao menos amenizá-la, é preciso fazer uma reforma educacional. Nesse passo, é preciso contratar professores, psicólogos e assistentes sociais, de modo que eles possam identificar comportamentos violentos dos alunos, e, ao mesmo tempo, possam aproximar a família e a escola, solucionando diplomaticamente culturas destrutivas do ideário cultural. Dessa forma, poderemos ser sérios no ensino e esquecer que algum dia aconteceram agressões e tiros no ambiente escolar.