O mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar
Enviada em 04/09/2020
Segundo a filósofa alemã Hannah Arendt, vivemos num constante processo de banalização do mal, ou seja, enxergando comportamentos negativos como corriqueiros e naturais. Nesse contexto, observa-se que condutas hostis e atos de violência praticados por alunos no âmbito escolar tornam-se gradualmente mais normatizados pela sociedade. Dessa forma, pode-se denotar a formação de valores morais deturpados no ambiente escolar e a estrutura e permissiva das escolas públicas como principais fatores para a perpetuação de tais comportamentos agressivos.
De fato, o ambiente escolar muitas vezes molda aspectos negativos no caráter de seus alunos. De acordo com a Organização dos Estados Interamericanos (OEI), 42% dos alunos da rede pública de ensino foram alvos de violência verbal ou física, o que por muitas vezes fomenta sentimentos de raiva que acabam por deturpar os valores morais do aluno agredido, tornando-o um potencial novo agressor e perpetuando um ciclo vicioso. Tal fato demonstra a necessidade de uma formação de valores mais íntegra, que não sejam desconstruídos por situações adversas.
Sob essa óptica, o modelo de estrutura escolar, sobretudo o modelo público, mostra-se conivente com contravenções praticadas por seus alunos. Em consequência dessa permissividade, diversos estudantes lidam com comportamentos transgressivos rotineiramente, ocasionando certa aceitação de tal conduta e até mesmo a incorporação de aspectos desse comportamento aos seus próprios. Logo, faz-se necessário maior fiscalização e punições mais efetivas de alunos com práticas errôneas.
Assim, urge que o Poder Público atue em conjunto com as famílias na promoção de uma educação que vise a formação de uma valores morais íntegros, por meio de aulas e palestras ministradas por pedagogos, com o fito de diminuir a incidência estudantil de práticas transgressivas. Além disso, é necessário incentivo público para que haja melhor fiscalização de escolas, de forma que comportamentos inadequados sejam repreendidos, e, dessa maneira, o mal pare de ser banalizado no ambiente escolar.