O mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar
Enviada em 29/09/2020
No filme “Escritores da Liberdade”, uma jovem professora precisa lidar com o mau comportamento dos alunos de uma escola corrompida pela agressividade e violência. Apesar de se tratar de uma ficção, a obra reproduz a realidade contemporânea, visto que devido à falta de responsabilidade dos pais e à escassez de investimentos no setor educacional por parte do Governo, a violência no ambiente escolar é cada vez mais comum.
Em primeira análise, pode-se afirmar que a transferência do papel educador dos pais referente aos seus filhos à escola é uma das causas da problemática. Segundo o filósofo brasileiro Paulo Freire, educar não é transferir conhecimento, mas desenvolver as condições necessárias para a sua construção, assim, pode-se compreender que a instrução parental é imprescindível, pois favorecerá a função do professor na disseminação do conhecimento, bem como norteará a índole do indivíduo no espaço escolar. Entretanto, uma pesquisa recente do movimento Todos Pela Educação revelou que apenas 12% dos pais são comprometidos com a educação da prole, o que evidencia uma inversão de valores, em que episódios violentos tornam-se mais comuns, devido à ausência de uma base ética e moral primária advinda da criação familiar.
Ademais, cabe ressaltar a negligência governamental quanto ao campo educador como agravante do problema. De acordo com o filósofo alemão Immanuel Kant, o homem não é nada além daquilo que a educação faz dele, logo, uma educação falha compromete a consolidação de valores essenciais ao ser humano, como o respeito ao próximo. Partindo desse ponto de vista, é sabido que a educação brasileira não é precisa no que tange à concretização do senso moral e ético dos alunos, tampouco busca medidas para tentar entender e reverter os índices de violência contra professores e estudantes. Essa crise moral evidencia-se em pesquisas como a divulgada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, a qual põe o brasil no topo do ranking mundial de violência escolar.
Em suma, conclui-se que a agressividade no ambiente estudantil é um sério entrave no Brasil atual e portanto, urge por medidas que o solucionem. Dessarte, é dever do Estado criar campanhas de conscientização sobre a importância da educação vinda de casa, bem como, por meio das secretarias de educação municipais, gerar debates sobre o tema com a participação de pais, com o fito de conscientizá-los e desenvolver as melhores formas de educar os filhos. Também é função do Governo, por meio do MEC, inserir novas atividades dinâmicas e recreativas nas aulas, com discussões, palestras e apresentação de dados sobre o assunto, a fim de conscientizar os estudantes sobre o respeito e o convívio harmônico necessário entre alunos e professores.