O mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar

Enviada em 09/10/2020

No dia 13 de março de 2019, o Brasil ficou marcado pelo denominado “Massacre de Suzano”, que resultou no assassinato de alunos da escola Raul Brasil, em São Paulo. Tal deplorável fenômeno reascendeu a discussão em torno da crescente presença da hostilidade nas instituições de ensino, a qual representa um assíduo entrave às escolas e inviabiliza o convívio social saudável. Nesse sentido, revela-se necessário desconstruir a cultura de hostilidade recorrente em ambientes escolares, bem como a omissão do Estado, em prol de evitar futuros danos irreversíveis aos estudantes.

Conforme já explicitado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), cerca de 150 milhões de jovens de 13 à 15 anos já sofreram ataques por parte de seus colegas. Além disso, 71,8% dos professores já relataram agressão física ou verbal, segundo o Tribunal de Contas de São Paulo. Tais alarmantes dados explicitam a inexorável violência no meio escolar, a qual evidencia a maldade humana intrínseca a substancial parcela dos estudantes brasileiros. Nesse viés, a cultura da hostilidade decorre das diversas atitudes cruéis manifestadas no cotidiano moderno, que por sua vez, se tornam corriqueiras e as relações sociais cada vez mais caóticas. Deste modo, os conflitos exortam a violência em suas faces mais perversas – bullying, ofensas a professores e depredação de patrimônio.

Outrossim, a omissão do Estado a estas causas problemáticas é um fator fundamental no que tange ao recrudescimento dos casos de violência no panorama escolar. Acerca disso, John Locke – filósofo contratualista moderno – construiu a tese de que os indivíduos cedem sua confiança ao Estado que, em contrapartida, deve garantir direitos aos cidadãos. Contudo, ocorre que os princípios atribuídos por Locke estão distantes de ser realidade nas escolas, devido à falta de iniciativa das autoridades públicas em garantir estabilidade e segurança nestes ambientes. Neste contexto, se a inércia do Estado se manter, os estudantes estarão sujeitos a conviver em situações desfavoráveis ao desenvolvimento sadio de seu caráter, as quais permitem a ocorrência de fenômenos cruéis, como o transcorrido pelos alunos da escola Raul Brasil.

Destarte, torna-se imprescindível a adoção de medidas em prol de mitigar as diversas faces da hostilidade. Assim, o Ministério da Educação e o dos Direitos Humanos, devem, por meio de verbas públicas, intervir na realização de campanhas midiáticas e debates, em meios essencialmente escolares, com o intuito de repudiarem a cultura de violência comum aos estudantes, bem como estimular pressão no Congresso Nacional, a fim de assegurar o cumprimento do papel das instituições públicas quanto a questões relativas à violência manifestada cotidianamente na sociedade. Dessa forma, espera-se frear a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar.