O mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar

Enviada em 16/10/2020

No decorrer do processo de formação do Estado brasileiro, a violência foi amplamente utilizada, principalmente, nos governos ditatoriais, para manter a ordem. Esse hábito histórico influenciou a população de tal forma que, na sociedade hodierna, as agressões no âmbito escolar tem se agravado e assumido diversas formas de expressões. Com isso, surge a problemática do crescente comportamento agressivo na escola, que está diretamente relacionada à realidade do país, seja pela insuficiência de leis, seja pela lenta mudança de mentalidade social.

Nesse contexto, é irrefutável que a questão constitucional e sua aplicação estejam entre as causas do problema. Segundo o Contrato Social, proposto pelo contratualista John Lock, cabe ao Estado fornecer medidas que garantam o bem-estar coletivo. Seguindo a linha de pensamento do sociólogo, é possível perceber que essa harmonia não está sendo efetivada no Brasil. Haja vista que, embora o direito a segurança, dignidade e educação, previsto pela constituição de 1988, represente um grande progresso em relação à liberdade do cidadão, há lacunas na lei que permitem a ocorrência dos casos de agressão físicas e verbais nas escolas. Desse modo, evidencia-se a importância do reforço da prática da regulamentação como forma de combater o impasse.

Ainda sob esse viés, destaca-se a agressividade doméstica como propulsor da violência nas escolas. De acordo com o Determinismo Geográfico, o homem é produto do meio, pois uma criança, ao crescer em um ambiente no qual tenha determinado comportamento, tende à adquiri-lo. Sendo assim, um indivíduo, ao desenvolver-se na atual conjuntura social, cuja característica marcante seja desrespeitar o próximo utilizando de ações agressivas, vai assimilar essa conduta negligente. Por isso, a consolidação dessa forma de agir, transmitida entre gerações, funciona como forte base do problema.

À luz dessas considerações, compreende-se, portanto, que as atitudes violentas no ambiente estudantil é fruto da ainda fraca eficácia da lei e da forte influencia social. A fim de atenuar o impasse, o Governo Federal deve elaborar um plano de implementação de militares nas escolas especializados nessa forma de agressão, aliado à esfera estadual e municipal do poder, principalmente nas áreas que mais necessitem. Além de o Ministério da Educação aplicar campanhas de abrangência nacional, junto às emissoras abertas de televisão, que debatam sobre a seriedade desses desequilíbrios comportortamentais estimulando a denúncia dos casos de violência em casa e nas escolas.