O mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar
Enviada em 17/10/2020
O ambiente escolar, personificando a figura dos educadores e diretores, deve, por princípio, cumprir a lei do direito à educação às crianças brasileiras. No entanto, na prática, a aprendizagem nas escolas acontece de maneira precária e ineficiente, causando fastio nos sujeitos-alvo tutelados por essas instituições. A despeito da ineficiência e da falta de modernização do ensino, que propiciam situações de mau comportamento, ocorre também a replicação de atitudes violentas que ocorrem disseminadamente na sociedade brasileira.
Em uma primeira análise, cabe destacar que a educação institucional continua semelhante àquela de algumas décadas atrás, embora agora estejamos na Era da Informação. Como consequência disso e do aumento do dinamismo social propiciado pela evolução das telecomunicações, os indivíduos são afetados com uma enorme carga de dados, notícias, experiências negativas que, segundo o psiquiatra brasileiro Augusto Cury, é nociva para a saúde mental dessas pessoas. Disso decorre que as escolas devem preparar mais seus alunos para lidar com diferentes assuntos e situações, isto é, focar mais no trabalho com os processos humanos, que a aprendizagem e a vivência em sociedade envolvem, e menos nos conteúdos simples das disciplinas. Dessa forma, perceber-se-ão resultados sensíveis na melhora no comportamento dos alunos, devido ao deslocamento do eixo de ensino das informações para o desenvolvimento pessoal.
Em uma segunda análise, é válido associar o aumento da violência em ambientes escolares ao cenário brasileiro de altas taxas de agressão doméstica e latrocínios, por exemplo. Para ilustrar isso: de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, em 2018 ocorreu uma morte violenta a cada 12 minutos no Brasil. No recinto educacional estão os mesmos sujeitos dessa sociedade problemática, que trazem consigo exemplos de ações consideradas banais, como discutir com outra pessoa por se achar detentor de razão. A fim de que aqueles que tiveram atitudes agressivas não recaiam nesse mesmo erro, faz-se necessário um trabalho de reabilitação no próprio ambiente escolar.
Diante desse quadro, é mister a reformulação do conceito de instituição educativa; a BNCC (Base Nacional Comum Curricular), que entrará em vigor a partir de 2021, deve permitir a oferta de aulas que extrapolem a transmissão de conhecimentos e inclua a reflexão acerca de processos, discussões em grupos sobre temas diversos, ferramentas estas poderosas para a promoção da autotransformação para melhor. Ademais, o Ministério da Cidadania deve criar um regimento nacional que vise oportunizar a redenção de estudantes infratores, recomendando aos diretores de escolar o modo de procedência nos casos de violação das regras de boa convivência básicas.