O mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar
Enviada em 10/11/2020
O poema “No Meio do Caminho”, escrito por Carlos Drummond, retratou as intempéries que surgiam na jornada do eu lírico; tais, metaforizadas como pedras, obstruíam o percurso da sua vida. Não obstante, é possível afirmar que a poesia de Drummond possui um caráter atemporal. Haja vista, sua expansão para o contexto atual: No meio do caminho para um ambiente escolar sadio, existem as pedras do mau comportamento e da agressividade crescente de alunos. Diante dessa perspectiva, é necessário assumir a postura de um geólogo, analisando as medidas que precisam ser aplicadas, ora no âmbito familiar, ora no âmbito escolar, para que essas rochas sejam levadas ao intemperismo.
Em primeira análise, evidencia-se a permanência da problemática como produto da socialização primária, que é desenvolvida no meio familiar. Segundo o sociólogo Talcott Parsons, a família é uma máquina que produz personalidades humanas. Nessa ótica, é possível afirmar que o ser humano é introduzido às regras, normas, linguagens e comportamentos através dos pais, socializando-o primariamente para que faça parte da comunidade de forma consciente, reconhecendo seus direitos e deveres. Logo, na ausência dessa transmissão de valores, a família se torna uma máquina defeituosa, criando personalidades humanas que, quando inseridas no ambiente estudantil, propagam a agressividade. Faz-se imprescindível, portanto, a dissolução dessa conjuntura.
Em segunda análise, é necessário que as escolas se tornem mais uma base de apoio para que esse comportamento juvenil seja alterado, executando correções menos ortodoxas. Para o sociólogo francês, Pierre Bordieu, aquilo que foi criado para ser instrumento de democracia jamais deve ser convertido em mecanismo de opressão. Sob esse viés, é notável que a forma que as escolas reagem à violência, pode fomentar a sua existência. Isso pode ser exemplificado, sobretudo, nas técnicas punitivas coletivas, que não conscientizam os verdadeiros culpados e obrigam os inocentes a acompanhá-los na correção. Assim, deve-se evitar atitudes que convertam a escola em mecanismo de opressão.
Torna-se imperativo, então, que esses entraves sejam solucionados. Dessa forma, é essencial que, por intermédio do Ministério da Educação e Ministério Público, o corpo social reconheça a importância da transmissão de valores, criando vídeos nas redes sociais sobre a responsabilidade que a família tem na formação do indivíduo, trazendo relatos de professores e alunos vítimas de agressão nas escolas, a fim de conscientizar a família sobre o seu papel. Além disso, também cabe às escolas o dever de conscientização, através de ações corretivas que visem o reconhecimento do erro, como serviço comunitário, para que o aluno crie um senso de empatia. Somente assim, o caminho tornar-se-á livre, pois, como disse a poetisa Cora Coraline: “Com as pedras atiradas, construí a minha obra”.