O mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar
Enviada em 17/11/2020
Embora a Constituição Federal de 1988 assegure o acesso à segurança como direito de todos os cidadãos, percebe-se que, na atual realidade brasileira, não há o cumprimento dessa garantia, principalmente no que diz respeito à violência no âmbito escolar. Esse cenário nefasto ocorre não só em razão do alheamento estatal em prover a efetivação de tal direito, mas também devido à irresponsabilidade de pais e responsáveis na formação educacional de seus filhos.
Em primeira análise, vale destacar que a postura decadente do Estado brasileiro em efetivar a segurança nas escolas, seja por falta de investimentos, seja pelo alheamento à realidade do país, é fator substancial para manutenção da conjuntura vigente. Com efeito, educadores são postos diariamente em perigo nos seus locais de trabalho, lugar onde deveria haver respeito e obediência às normas sociais. No entanto, na realidade, a saúde física e mental do corpo educacional é negligenciada, visto que as autoridades renunciam sua função de mediador social e, dessa maneira, há um crescente sentimento de medo e de insegurança no âmbito escolar nacional. Nota-se, portanto, que, enquanto o Estado não cumprir seu dever social, a violência nas escolas continuará a persistir, por ser o reflexo do caótico sistema governamental.
Além disso, consoantes às ideias do sociólogo Émile Durkheim , a família, agente social primário, isto é, quem desenvolve as primeiras visões de mundo e de perspectivas acerca da realidade circundante nas crianças, tem papel essencial na sustentação do quadro doentio vigente. Sob tal ótica, pode-se afirmar que a educação primária, baseada nos ensinamentos de regras e de condutas morais, é função dos pais e responsáveis, visto que passam a maior parte do tempo do desenvolvimento primário infantil. Entretanto, a falha familiar no momento de formação social das crianças põe em risco não apenas a formação de cidadãos conscientes de suas atitudes, mas também à abstração de cumprimento de condutas essenciais à convivência saudável na sociedade.
Verifica-se, então, a necessidade de romper o cenário caótico de violência no âmbito escolar. Para isso, faz-se imprescindível que o Poder Executivo, por meio de sólidos investimentos, amplie a parcela de profissionais de segurança nas escolas, a fim de que os educadores se sintam mais seguros em relação a eventuais acontecimentos de violência. Dessa maneira, haverá o rompimento do medo e do temor em local de trabalho. Paralelamente, cabe às escolas, por intermédio de palestras, a formação crítica de crianças e responsáveis acerca de sua função social, com o objetivo de desencadear a consciência sobre a importância do respeito e da integridade às normais sociais estabelecidas. Assim, tornar-se-á possível a construção de uma sociedade mais justa e segura.