O mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar

Enviada em 23/11/2020

O ambiente escolar, desde o início do século XX, é uma das únicas Instituições brasileiras que não apresentou mudanças hierárquicas e funcionais, ou seja, ainda admite a subalternidade dos alunos perante os professores. Além disso, as escolas brasileiras da pós-modernidade, apesar de não apresentarem alterações estruturais, segundo Paulo Freire adquiriram um aspecto social na formação pedagógica dos alunos. Assim, verifica-se que o mau comportamento dos estudantes e a agressividade frequente neste ambiente declaram o fracasso social do papel escolar.

A priori, o mau comportamento dos alunos no ambiente escolar apresenta como justificativa o fato de as famílias brasileiras exigirem das escolas um papel que não é primordial dela, o de educar moralmente as crianças e os jovens. Isso porque, uma pesquisa divulgada pela revista Pais e Filhos mostrou que mais de 60% dos pais esperam que as Instituições Educacionais da rede básica desempenhem o papel de educar socialmente seus filhos. Dessa forma, quando os colégios executam a função pedagógica e apenas ela, o mau comportamento dos estudantes se torna uma realidade no Brasil.

Em outra perspectiva, a agressividade intraescolar acontece, pois a ausência de alterações estruturais nas Instituições escolares aumentam a indignação de alguns alunos e professores. Isso ocorre, uma vez que um estudo publicado pelo jornal Estadão mostrou que mais de 40% dos estudantes da rede básica de ensino público frequentam as escolas com o intuito de realizar refeições que são únicas no dia. Por outro lado, outros 30% dos entrevistados comparecem aos educandários não pelo ensino pedagógico, mas pela socialização e acolhimento que as escolas pós-modernas deveriam oferecer. Desse modo, se a escola não oferece esses requisitos, a agressividade se manifesta como resposta por esses ambientes continuarem iguais, mesmo depois de um século de mudanças sociais.

Portanto, é necessário que as Secretarias Estaduais, por meio da reivindicação de verbas da União, formem um grupo de apoio, em pelo menos uma escola de cada município, composto por psicólogos e pedagogos. A finalidade é fornecer uma direção para os pais dos estudantes sobre como educar moralmente seus filhos, compartilhando essa obrigação com as escolas e diminuindo o mau comportamento dos alunos. Também é necessário que o Ministério da Educação, através da Política Nacional de Educação, a PNE, delibere mudanças no papel social desempenhado pelas escolas, com a finalidade de aumentar a socialização e trazer novas perspectivas para o ensino pedagógico, diminuindo a agressividade do ambiente intraescolar.