O mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar

Enviada em 28/11/2020

A escola Raul Barbosa, em Suzano – São Paulo, foi palco de um massacre em março de 2019. Analogamente, essa realidade reflete a situação em que se encontra o contexto educacional no país e o principal impasse a ser superado por ele: a violência nas escolas, a qual torna-se um obstáculo ao ensino e aprendizado, e dificulta o convívio social. Desse modo, a problemática é motivada ora pela cultura de hostilidade, vigente no corpo social desde o período colonial, ora pela negligência estatal em sanar esses impasses. Dessa forma, exigem-se medidas paliativas.

A princípio, é válido salientar que a constante barbárie nos âmbitos estudantis é fruto direto da teoria de estado de natureza, defendido por Thomas Hobbes, onde nela o homem pode todas as coisas, e para atingi-las, utiliza-se de diversos meios. Assim, no cenário educacional, uma vez munidos com esse arcabouço, a agressividade fica explícita as relações conflituosas entre discentes e docentes, haja vista que, por uma nota baixa ou repreendimento, que são formas de educar, o aluno entende como afronta ou “marcação”, levando-o a partir para agressões verbais e, até mesmo, físicas, o que mostra que quando a hostilidade a regra, a cultura e o ensino são exceções.

Outrossim, outro fator que assola a primazia do aprendizado é o conceito de banalidade do mal, principiado por Hannah Arendt, a qual afirma que o Estado negligencia situações conflituosas na sociedade. Portanto, é notório que, mesmo esses problemas sendo recorrentes, os órgãos estatais banalizam esses impasses, já que não contam com medidas que visem diminuir a agressividade dentro de sala de aula e aumentar a segurança, agindo com total descaso quanto à problemática. Segundo dados do G1, o Brasil é o primeiro no ranking de violência contra professores e outros alunos, evidenciando o quão grave é a problemática.

Por conseguinte, cabe Ministério da Justiça, em parceria com a Polícia Federal, a criação de Unidades de Polícia Pacificadora (UPP’s) próximas às escolas, por meio de um projeto de pacificação, a fim de garantir a segurança do corpo estudantil e harmonização local. Ainda assim, o Ministério da Educação deve criar aulas munidas de oficinas e debates, ministradas por pedagogos e profissionais da segurança, que informe e oriente a comunidade escolar sobre as diversas formas de educar e as consequências da criminalidade dentro da escola, apresentando suas possíveis consequências, com o fito de diminuir a bandidagem. E só assim, com medidas graduais e progressivas, aumenta a pacificação dos ambientes estudantis e evitar episódios como de massacre em Suzano.