O mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar

Enviada em 10/08/2021

Denominada como ‘‘Cidadã’’ por Ulysses Guimarães, a Constituição Federal de 1988, por ter sido concebida no processo de redemocratização, garante a segurança e o bem-estar social de todos os cidadãos. Entretanto, ao analisar o alarmante quadro do mau comportamento e da agressividade crescente de alunos no ambiente escolar, nota-se um contexto destoante das promessas constitucionais. Nesse viés, é importante destacar a violência entre estudantes e os ataques aos educadores como os entraves do tema, de modo que urgem medidas por parte do Estado.

Sob esse prisma, é imperativo pontuar a violência entre alunos como um impulsionador do crítico panorama do individualismo evidente nas escolas que não possuem o efetivo sistema de segurança. Para entender tal apontamento, na série espanhola ‘‘Elite’’, da plataforma de streaming Netflix, a jovem Marina foi assasinada por seu colega de classe ao lado da piscina de natação da escola. Contudo, um fato inquietante é que ‘‘Las Encinas’’ é uma escola particular, frequentada pela comunidade mais prestigiada e rica da Espanha, e, mesmo assim, não possuia um sistema de segurança operante, como câmeras de monitoramento contínuo. Logo, é evidente que, no Brasil, o cenário é o mesmo, tanto em escolas públicas quanto em particulares, o que demonstra que o individualismo entre os jovens gera diferentes tipos de consequências danosas ao bem-estar social, o que expande a problemática da renomada escola fictícia para a realidade de muitos estudantes brasileros.

Simultaneamente, é lícito afirmar que o parco investimento estatal na promoção de recursos para o pleno funcionamento da escola configura barbilhos que causam os ataques - físicos e verbais - aos educadores e professores. Isso ocorre pois, o aluno, enquanto portador de distintos meios de agressão, bombardeia esses profissionais de distintas formas, a citar a chantagem e a exposição de palavras de baixo calão nas redes sociais e presencialmente. Nesse sentido, o conceito de ‘‘Cegueira moral’’, do sociólogo Zygmunt Bauman, ilustra bem tal perspectiva, ao postular que, em tempos de modernidade líquida, a indiferença em relação ao próximo torna-se habitual. Paralelamente, essa falta de empatia é moldada por uma enorme bolha de desitendimentos, críticas e violências que estão presentes no cotidiano de muitos educadores, exemplificando a ablepsia moral e o individualismo supracitados.

Portanto, diante dos desafios supramencionados, torna-se imperiosa a ação do Ministério da Educação, mediante ações orçamentárias, na promoção de verbas e investimentos para a edificação de câmeras de segurança na maioria das escolas do Brasil, além de propor uma roda de debates entre pais e alunos para discutir os empecilhos salientados, a fim de abolir esse grave quadro que obstaculiza o opimo funcionamento da educação. Quiçá, nessa via, as promessas constitucionais serão respeitadas.