O mercado de trabalho com o advento da inteligência artificial
Enviada em 30/10/2025
O filme “A Fantástica Fábrica de Chocolate”, produção estadunidense, retrata a vivência de uma família em extrema vulnerabilidade após o principal provedor da casa ser substituído por uma máquina em seu antigo emprego. Fora da ficção, esse cenário aproxima-se da realidade brasileira, na qual os cidadãos enfrentam desafios crescentes diante das transformações no mercado de trabalho causadas pela inserção de inovações digitais. Nesse contexto, a valorização do lucro e a insuficiência de políticas públicas de suporte ao trabalhador contribuem para a perpetuação dessa problemática.
Em primeira análise, é válido ressaltar que a busca pelo capital em detrimento da integridade social constitui uma herança histórica. A supervalorização do dinheiro, consolidada pelo modelo econômico capitalista, fundamentou a lógica laboral ocidental. Nessa conjuntura, os indivíduos prejudicados pelas reestruturações do mercado, impulsionadas pela automação e pela inteligência artificial, tornam-se invisibilizados diante do aumento da produtividade e da redução de custos. Assim, o desemprego estrutural decorrente dessas mudanças é agravado pela ausência de políticas eficazes de requalificação profissional promovidas pelo Estado.
Ademais, a carência de políticas públicas voltadas à proteção dos trabalhadores contribui para o agravamento do problema. Segundo o filósofo Immanuel Kant, cabe ao Estado zelar pelo bem-estar dos cidadãos, o que inclui garantir meios para a obtenção de renda. Entretanto, a negligência estatal em preparar a população para o novo cenário laboral, aliada à falta de atenção às classes mais vulneráveis, acentua as desigualdades e consolida um avanço técnico-científico dissociado de justiça social. Com efeito, a ausência de preparo coletivo diante das mudanças futuras perpetua a desigualdade e restringe a mobilidade social.
Portanto, faz-se necessário que o Ministério do Trabalho e Emprego — órgão central na proteção laboral — implemente um programa nacional de reinserção e reprofissionalização para os brasileiros, viabilizado por meio do financiamento de projetos e campanhas de qualificação, visando mitigar o desemprego estrutural e, assim, promover uma integração efetiva entre progresso técnico e bem-estar social.