O mercado de trabalho com o advento da inteligência artificial
Enviada em 05/09/2026
Embora a sociedade contemporânea teorize a importância da inteligência artificial no mercado de trabalho, a realidade brasileira revela o persistente paradoxo da automação de tarefas feitas por humanos. Sob essa ótica, é imperativo analisar como a indiligência governamental e a anestesia social convergem para a manutenção desse entrave estrutural.
Em primeira análise, é fundamental destacar que a inércia institucional atua como o principal alicerce da problemática. Sob essa ótica, a incapacidade de agentes públicos em criar leis que proíbam a substituição dos humanos nos ambientes de trabalho revela um Estado que, embora provedor no papel, mostra-se omisso na prática. Nesse sentido, de acordo com Miguel Nicolelis, “há um fetiche pela criação de máquinas que substituam seres humanos, visando reduzir custos e aumentar o lucro”. Essa negligência é uma falha estrutural que culmina em aumento das taxas de desemprego. Dessa forma, enquanto o Estado permanecer inerte, a substituição humana pela inteligência artificial continuará a degradar o tecido social brasileiro.
Ademais, é imperativo notar que a anestesia social atua como um catalisador do impasse. Nesse viés, a coletividade, imersa em uma preocupante erosão da alteridade, passa a naturalizar a substituição humana no mercado de trabalho como um dado inalterável da realidade. Essa postura converge com o pensamento de Djamila Ribeiro, onde o primeiro passo a ser dado para solucionar uma questão é tirá-la da invisibilidade. Essa carência de empatia não apenas silencia as vítimas, mas também reforça a dificuldade que terão para se encaixar em outro setor profissional. Desse modo, enquanto a sociedade mantiver uma postura de passividade ética, a invisibilidade do problema permanecerá inabalável.
Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o Estado- instituição soberana e garantidor de direitos fundamentais- por intermédio do amplo apoio dos poderes estaduais e municipais, promova a realização de palestras e campanhas publicitárias que ressaltem a importância dos humanos nas empresas, a fim de conter o aumento do uso das inteligências artificiais. Somente assim, a ampliação da substituição humana no mercado de trabalho deixará de ser uma realidade naturalizada no Brasil.