O mercado de trabalho com o advento da inteligência artificial

Enviada em 26/10/2023

No filme norte-americano “Blade runner”, retrata-se uma sociedade futurista, em que os trabalhos e as atividades cotidianas são exercidos pelas IAs, com isso, substituindo a mão de obra humana. Assim como na ficção, é nítida a presença das inteligências artificiais no mercado de trabalho contemporâneo. Com esse efeito, há a precarização do emprego e a omissão estatal ao desemprego tecnológico.

Diante desse cenário, é evidente o sucateamento do meio trabalhista pela ascensão das tecnologias. Nessa perspectiva, na obra “O capital”, de Karl Marx, é afirmado que o trabalho será continuamente explorado sob as condições das produções capitalistas na garantia da reestruturação produtiva. De maneira análoga, ao pensamento de Marx, é indiscutível que a precarização do trabalhador está diretamente ligada aos avanços dos meios tecnológicos nas sociedades, como, por exemplo, o ChatGPT, uma inteligência artificial que exerce o papel de “educador”, assim, substituindo o profissional efetivo. Dessa forma, nota-se que esse fator promove uma grave ruptura na ordem social contemporânea.

Ademais, é válido ressaltar a indiferença estatal perante ao hodierno desemprego estrutural. Nesse viés, de acordo com a Constituição Federal de 1988, garante como direito social o trabalho. Sob essa lógica constitucional, observa-se que a não há apenas a não efetivação do direito pelo Estado, mas também a terceirização das leis trabalhistas. Tal problema pode ser exemplificado pela carência de ações sindicais aos motoristas e entregadores de aplicativos. Desse modo, enquanto a indiferença da figura estatal for a regra, o desemprego tecnológico aumentará.

Assim sendo, é mister que o Estado tome providências para melhorar o impasse do quadro atual, visto que a inteligência artificial é uma realidade no mercado de trabalho. Urge, portanto, que o Ministério do Trabalho -órgão responsável pelas políticas de geração de emprego- faça medidas legislativas contra substituição de profissionais formais e a criação de canais de fiscalização trabalhista, por meio aprovações constitucionais e verbas voltadas para os sindicatos, para que o crescimento das AIs no mercado de trabalho seja um auxiliar do emprego formal. Pois, somente assim, o cenário de “Blade runner” não será presente na sociedade.