O mercado de trabalho com o advento da inteligência artificial
Enviada em 23/10/2023
Inspirando-se na perspectiva de Paulo Freire em “Pedagogia do Oprimido”, onde a educação é vista como um motor de transformação social, é possível identificar um dilema contemporâneo subestimado: o efeito avassalador da inteligência artificial no mercado de trabalho. Este cenário ressalta a falha estatal em oferecer requalificação profissional, bem como a ausência de discussão social aprofundada, ambos direitos assegurados pela Carta Magna de 1988.
Primordialmente, vale ressaltar que a débil ação do Poder Público é uma das raízes do problema. Gilberto Dimenstein, em “Cidadão de Papel”, argumenta que, apesar da legislação brasileira ser completa na teoria, ela é frequentemente ineficaz na prática. Isto é corroborado por pesquisas recentes do IBGE, que mostram que a automação já afetou 15% dos empregos, realçando a inércia estatal na criação de políticas de requalificação.
Para além disso, a escassez de informações sustenta uma sociedade alienada. Vladimir Jankélévitch, em seu conceito do “Paradoxo da Moral”, destaca a cegueira ética do homem moderno. A mídia raramente aborda os efeitos profundos da IA no mercado de trabalho, e algoritmos na internet exacerbam essa ignorância coletiva, perpetuando a apatia estatal e a falta de criticidade popular.
Deste modo, é imperativo que o Poder Executivo, em colaboração com o Ministério da Ciência e Tecnologia e especialistas da área, desenvolva políticas públicas que abordem essas lacunas. Isso poderia se dar através da criação de um projeto nacional para fomentar debates sobre IA nas escolas e universidades de todo país. Assim, a visão de Paulo Freire sobre educação transformadora seria mais uma vez validada, em detrimento da alienação social.