O mercado de trabalho com o advento da inteligência artificial
Enviada em 24/10/2023
Na Constituição Federal de 1988 é assegurado a proteção contra o desemprego. Entretanto, fora da carta magna no Brasil e no mundo há a evolução da inteligência artificial, com capacidade de substituir a mão de obra humana. Nesse ínterim, surge a problemática, o desemprego estrutural e o acesso desigual as novas tecnologias.
Nessa perspectiva, as novas máquinas têm a capacidade de realizar funções que eram consideradas estritamente humanas, tais como dublações e diagnósticos médicos podendo diminuir vagas de empregos. Nesse sentido, situação semelhante ocorreu no início da primeira revolução industrial, no ludismo, movimento em que os trabalhadores quebravam as máquinas devido a insatisfação com a mecanização e perda de empregos. Tal movimento, demonstra que toda transformação leva mudanças sociais e consequências. Assim, de forma análoga a inteligência artificial traz renovações, substituindo atividades humanas e aumentando o desemprego estrutural. Logo, é crucial encontrar soluções para manter o equílibrio social com o desenvolvimento tecnológico.
Ademais, o acesso e o uso da inteligência artificial é desigual no Brasil, ocasionando o aumento da segregação social. Nessa perspectiva, o geógrafo brasileiro Milton Santos criou o conceito de globalização perversa, o qual elucida que a globalização trouxe aumento das conexões com o crescimento concomitante das diferanças sociais. Esse conceito, se aplica as novas tecnologias que não são acessíveis a toda população, o que ocasiona o elevação dos contrastes sociais, dificultando o acesso dos menos favorecidos. Desse modo, a inteligência artificial, se não popularizada, manterá a desigualdade e um acesso restrito aos postos de trabalhos no país.
Em suma, há entraves ocasionados pela inteligência artificial. Destarte, é cabível ao Governo - órgão responsável pela aplicação de politícas públicas - criar centros de ensino sobre como usar a inteligência artificial, com acesso gratuito a essas, por meio de 5 % da verba destinada a pasta a fim de gerar empregos na área e diminuir a segregação tecnológicas. Com isso, a Constituição terá seu comprimento prático e afastará a globalização no país da ideia de Milton Santos.