O mercado de trabalho com o advento da inteligência artificial

Enviada em 03/11/2023

A série “Black Mirror” discute sobre as mudanças comunitárias maléficas causadas pelos avanços tecnológicos. Todavia, esse problema não é exclusivo dessa obra ficcional, já que o mercado de trabalho é prejudicado pelo advento das inteligências artificiais. Isso se deve à desigualdade social e à omissão governamental.

Inicialmente, a discrepância econômica prejudica parte da população no uso das IAs no trabalho. Nesse viés, segundo os dados do Global Wealth Report, o Brasil é o país com maior concentração de renda no mundo. Logo, os resultados dessa pesquisa comprovam a grave desigualdade financeira nacional, devido à falta de políticas públicas ligadas à equidade, como ajustes de salário e de impostos, o que afeta os grupos mais pobres, pois eles não tem acesso às novas tecnologias nem instrução para a aplicação delas no mercado de serviços. Assim, caso a igualdade monetária não seja priorizada, o problema permanecerá.

Outrossim, o governo falha em restringir o uso impróprio das inteligências artificiais. Sob essa ótica, de acordo com o artigo 218 da Carta Magna, o Estado deve garantir que as novas tecnologias sejam benéficas à sociedade. Contudo, essa norma constitucional é uma utopia no país, haja vista que as leis atuais permitem o roubo de dados gerados por profissionais sem a permissão dos autores, além de não defender os direitos trabalhistas dos indivíduos, o que promove a substituição do funcionário pela IA na prestação de serviços. Desse modo, enquanto os governantes forem inertes, o desemprego estrutural será um risco no Brasil.

Portanto, é preciso assegurar o uso adequado das IAs no trabalho. Destarte, o Governo Federal deve combater a desigualdade financeira, por meio de aumentos no salário mínimo e ajustes na taxa de imposto de acordo com a renda do indivíduo, além de promover cursos gratuitos, desenvolvidos pelo Ministério da Educação, no uso das novas tecnologias. Essas iniciativas têm a finalidade de garantir a utilização democrática dessas ferramentas, bem como mobilizar o Estado a criar leis e acordos empresariais favoráveis aos interesses dos trabalhadores, os quais impessam a apropriação de dados sem a aprovação profissional e dificultem a substituição do cidadão pela inteligência artificial. Desse modo, a distopia a série “Black Mirros” não será uma realidade no Brasil.