O mercado de trabalho com o advento da inteligência artificial
Enviada em 06/03/2024
Sob a perspectiva do sociólogo francês Émile Durkheim, em uma solidariedade orgânica, para haver harmonia, cada parte do corpo social teria de cumprir sua função, a fim de que não ocorra uma patologia social. Não obstante, quando se observa a deficiência de medidas na luta contra o mercado de trabalho com o advento da inteligência artificial, verifica-se que essa visão é constatada na teoria e não na prática. Dessa maneira, é evidente que a problemática se desenvolve não só devido à falta de ações governamentais, mas também à resistência e despreparo da sociedade diante desse quadro alarmante.
Em primeira análise, cabe observar a ausência de medidas governamentais para combater o impacto da IA no mercado de trabalho. De acordo com o filósofo Thomas Hobbes, o Estado foi criado para assegurar os direitos dos indivíduos, eliminar condições de desigualdade e, assim, promover a coesão social, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Nesse sentido, por causa da baixa operação das autoridades, a falta de regulamentação e a ausência de políticas de capacitação profissional, o desemprego e a desigualdade crescem. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.
Ademais, a resistência e despreparo da sociedade para lidar com as transformações provocadas pela IA também podem ser apontados como promotores do problema. De acordo com dados do cotidiano, nota-se uma resistência à adoção de novas tecnologias e a falta de preparo para os novos desafios profissionais. Partindo desse pressuposto, percebe-se que a falta de adaptação e a resistência ao aprendizado contínuo retardam a resolução do empecilho, já que contribuem para a perpetuação desse cenário caótico.
Depreende-se, portanto, que é imprescindível a mitigação dos obstáculos para combater o impacto da IA no mercado de trabalho. Assim, o Tribunal de Contas da União deve direcionar capital que, por intermédio do Ministério da Educação, será revertido em programas de capacitação e educação voltados para as novas demandas tecnológicas. Através de parcerias público-privadas uma vez que estas têm potencial de acelerar o processo, será possível diminuir, gradativamente, essa patologia social do Brasil prevista na teoria de Durkheim.