O mercado de trabalho com o advento da inteligência artificial

Enviada em 08/03/2024

A série televisiva “Os Jatson”, que teve seu apogeu nos anos 90, apresenta o cotidiano de uma família que habita um novo planeta, em uma realidade futurista marcada por inovações disruptivas. Atravessando o cenário fabuloso, observa-se, atualmente, a exponencial digitalização de tarefas, decorrente do advento da inteligência artificial, em detrimento às ocupações de trabalho assumidas por pessoas, nos conduzindo a uma realidade análoga ao que se retrata na obra ficcional. Nesse viés, torna-se essencial analisar os reveses desses avanços tecnológicos no mercado de trabalho, destacando-se a insuficiência da atuação governamental e os desafios da mudança de carreira por uma parcela da população no Brasil.

A princípio, é indispensável destacar a ineficiência estatal na capacitação formal de toda a mão-de-obra nacional. Esse contexto de inoperância exemplifica na teoria do sociólogo Zygmunt Bauman quanto à presença das Instituições Zumbi, que embora existam formalmente, não cumprem a sua função social com eficácia. Sob essa tendência, devido à falta de colaboração estatal, é corrompido o direito constitucional da garantia de educação para todos, colaborando na manutenção de ocupações de trabalho unicamente operacionais e facilmente substituídas por tecnologias contemporâneas.

Não somente, é necessário apontar o revés da mudança de carreira no Brasil, impulsionado pela ausência de instrução formal. Para o filósofo francês Diderot, a função da educação cerne no desenvolvimento de uma sociedade amplamente esclarecida e livre. Diante de tal exposto, deduz-se que na ausência desse direito básico colabora para o nefasto contexto do crescente afastamento, por parte parcela da população menos instruída, à recolocação no mercado de trabalho em novas posições que exijam maior refinamento intelectual, não alcançado pela inteligência artificial.

Portanto, faz-se necessário a adoção de medidas capazes de mitigar o problema. Para isso, a fim de promover maior acesso à educação formal e superior no Brasil, cabe ao Governo Federal e Estadual, o planejamento para a criação de novas instituições de ensino superior.