O mercado de trabalho com o advento da inteligência artificial
Enviada em 20/06/2024
Promulgada em 1988, a Constituição Federal assegura direitos fundamentais para a democracia e vida digna de seus cidadãos. Porém, a inteligência artificial e suas consequências, como o risco de discriminação algorítmica e violações da privacidade interferem no sistema harmônico do Estado brasileiro. Dessa forma, para mediar a conjuntura, é imprescindivel enunciar os pilares da adversidade: o fator social e a ineficácia governamental.
Diante desse cenário, é preciso explorar o quesito social e sua implicação na temática. De acordo com Pierre Bourdieu, “não há democracia efetiva sem um verdadeiro crítico”. Sob tal perspectiva, a passividade crítica sobre a escassez de vagas de emprego destoa do progresso bourdieuseano e, com efeito, forma cidadãos sem interesse em resolver a matriz do problema. Consequentemente, essa ausência de autocrítica funciona como base para a possível perda de até 300 milhões de empregos em tempo integral no mundo, fato que viola, novamente, a CF. Destarte, analisar criticamente as relações sociais de um povo é essencial para dirimir o revés.
Ademais, convém destacar as falhas estatais. A esse respeito, John Rawls, na teoria do Pacto Social, enfatizou o Estado como mantenedor do bem-estar coletivo. Contudo, os impactos da precarização da condição de trabalho para profissionais que podem ser substituídos por máquinas, contrastam com a tese do autor, uma vez que o governo do Brasil parece não se preocupar com o enredo, tendo em vista a redução do papel do ser humano nesse meio tecnológico. Com isso, é inadmissível a inoperância das esferas de poder no que tange à mitigação do viés.
Portanto, entende-se que a inteligência artificial é um obstáculo intrínseco de raizes culturais e governamentais. Logo, o Ministério das Comunicações, por intermédio de programas de alta audiência, deve discutir e elucidar o assunto, com o objetivo de mostrar as sequelas do problema e, esse órgão vai convidar um especialista para apresentar uma visão crítica e orientar os espectadores a respeito do impasse, até porque o acesso aos recursos digitais não é um benefício experimentado por todos. Feito isso, a sociedade brasileira terá uma vida digna como prevê a Constituição Federal.