O mercado de trabalho com o advento da inteligência artificial

Enviada em 28/11/2024

O ludismo foi um movimento subversivo iniciado durante a Primeira Revolução Industrial, cujo traço mais memorável foi a quebra de máquinas de tecelagem por trabalhadores revoltados. A razão para a indignação diante das máquinas era que estas, muito potentes, tomavam das pessoas seus trabalhos, acarretando, assim, um antagonismo entre autômato e homem. Com o passar da história, o posto de invenção com dupla vocação foi transferido à inteligência artificial (IA), dado que ela, comos os fiares, torna mais ágil e eficiente a realização de vários ofícios, apesar de fazer o emprego da mão de obra humana neles mais dispensável.

A princípio, admite-se que a aplicação da IA em alguns segmentos, se comparada ao trabalho humano, tem mais poder de execução e rendimento. Isso acontece principalmente em profissões que lidam com grandes quantidades de informação repetida, as quais, para a IA, são facilmente processadas, dada sua habilidade de achar padrões e tomar decisões atravé deles. Um exemplo de tarefa que as IAs desempenham com excelência é a identificação de fraude bancária, agora felizmente mais sensível em apontar comportamentos estranhos.

Entretanto, nem tudo é vantagem, já que a eficiência da IA é uma ameaça de extinção a muitas profissões hoje. Nesse sentido, a tendência de desaparecimento de postos de trabalho pode em muito ser explicada por meio de um conceito mais antigo, o da revolução técnico-científico-informacional. Essa revolução, explicada pelo geógrafo Milton Santos, se caracteriza pelo surgimento massivo de tecnologias cada vez mais produtivas que ocasionaram um estado perene de falta de trabalho. Assim, não seria absurdo supor que esse mesmo cenário se repete hoje, causando nova onda de desemprego estrutural.

À vista disso, percebe-se que é necessário trabalho cauteloso do Estado para lidar com as incertezas da IA. Logo, como o avanço é irrefreável e traz vantagens, sugere-se que o Ministério da Educação crie, em parceria com os Senacs, um curso de educação contínua em IA e tecnologia para profissionais que podem perder seus trabalhos, como arquivistas, atendentes de telemarketing e outros. Esse curso ofereceria uma nova visão das oportunidades de trabalho vigentes, além de ser uma tentativa de alçar o Brasil à condição de país da era digital.