O mercado de trabalho para o jovem contemporâneo: desafios e oportunidades

Enviada em 23/07/2020

Ao longo da historiografia humana o significado de trabalho mudou a medida que a sociedade transformava o seu modo de produção. Como se observa que, na Idade Média, o trabalho estava associado com a servidão e enquanto na pós-modernidade, regido pelo sistema capitalista, está relacionado ao assalariado, o qual é estruturado em um mercado de trabalho. Contudo, nota-se os desafios presentes para o jovem  nesse atual modelo de trabalho, os quais perpassam pela falta equidade na oportunidade do acesso ao emprego e em um país que não se separa do sistema escravista.

Em primeiro lugar, ao analisar a realidade de que 23% da população jovem não está inserida na produtividade econômica do país, percebe-se que uma das causa para tal cenário é falta de preparo dessa parcela da sociedade. No entanto, nota-se que a desigualdade social existente na nação dificulta a capacitação do indivíduo ao mercado de trabalho de forma igualitária, uma vez que a educação de qualidade, majoritariamente, fica restrita aos abastados da população. Desse modo, compreende-se que são os jovens de classe baixa que encontram maiores empecilhos para se enquadrar nas exigên-cias presentes no mercado de trabalho. Consoante a isso, esse quadro  reafirma o posicionamento do escritor Lima Barreto sobre o Brasil ser dois países, um dos privilegiados e um dos deserdados.

Ademais, essa problemática não está apenas na falta de equilíbrio no acesso ao mercado de trabalho, mas também nas áreas profissionais que as diferentes classes sociais ocuparão. Sob tal prisma, nota-se uma nação ainda que reverbere a obra do autor Gilberto Freire, “Casa Grande e Senzala”, dado que, a discrepância na educação- como já foi supracitada- faz com que haja uma divisão entre as classes. Prova disso é que o trabalho braçal, que necessariamente é mal remunerado, fica direcionado á classe de baixa renda, a qual é significativamente  ocupada pela  população negra e, assim, continua nesse ensejo de senzala, enquanto o relacionado ao campo intelectual aos de classe alta. Dessarte, nota-se uma civilização que não se separa do seu passado escravista.

Logo, é mister que o Estado intervenha nessa situação. Para tanto, cabe a esse órgão, mediante repasse de verbas governamentais, reestruturar a sua educação a fim de que haja uma equidade no acesso de oportunidades no mercado de trabalho. Nesse viés, a educação pública receberá mais recursos para preparar os seus estudantes com  exigências presente sistema laboral, por meio de um ensino crítico, que contenha aulas interdisciplinares e laboratórios de robótica e de ciências da natureza. Diante disso, o país  conseguir-se-á se desprender desse passado escravista.