O mercado de trabalho para o jovem contemporâneo: desafios e oportunidades

Enviada em 23/07/2020

Charlie Chaplin, no filme Tempos Modernos, teceu uma crítica ao modo de produção fordista (caracterizado pela repetição de funções do operário). Nessa perspectiva, Chaplin sinalizava que tal modelo já estava obsoleto. Assim, verifica-se que o mundo orgânico do trabalho está em constante adaptação. Desse modo, é de suma importância analisar a questão do mercado de trabalho para o jovem atual, no tocante aos desafios e às oportunidades. Dessarte, nota-se não só a questão da exclusão digital, como também a não consonância ante a Constituição e a realidade exposta.

A princípio, Heidegger, filósofo alemão, alertou, em 1950, que o penamento computacional torna-se-ia uma maneira prevalente de pensar. Prova disso é que, na pós-modernidade, o processo produtivo está cada vez mais dependente dos computadores conectados à internet. Nessa lógica, verifica-se a necessidade de que o trabalhador esteja alinhado com os conhecimentos técnico-científico, entretanto, segundo dados divulgados pelo IBGE(Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas) um em cada quatro brasileiros não possui acesso à internet no Brasil. Dessa maneira, observa-se que a exclusão digital inibe a oportunidade de jovens no mercado de trabalho tecnológico.

Outrossim, a Constituição de 1988 estabelece que é dever do Estado estabelecer um ambiente que fomente o desenvolvimento do cidadão, todavia, a realidade expõe uma contrariedade. Esse paradoxo, por sua vez, expressa-se, seja pela falta de acesso pleno dos jovens à internet e seu impacto na sua  profissionalização (como já supracitado), seja pela inoperância dos governantes na elaboração de ações para dirimir tal cenário. Tanto que o paralelo entre os dispositivos constitucionais e a realidade ecoa o “Enigma da Modernidade”, do filósofo Henrique de Lima, o qual elucida que, apesar de a sociedade ser avançada em suas razões teóricas, é primitiva em suas razões éticas. À vista disso, percebe-se a dissonância perante a Constituição e a narrativa factual que precisa ser solucionada.

Logo, é mister que o Estado mude esse quadro. Para tanto, é fundamental que o Poder Executivo realize políticas públicas por meio de verbas governamentais, a fim de que os emblemas relacionados com a inserção do jovem no mercado de trabalho sejam mitigados. Posto isso, é imprescindível criar, aliado ao Ministério da Economia, cursos de informática, mediante mapeamento logístico que revelem as regiões em que o acesso a computadores via rede é precário, objetivando dirimir a exclusão digital. Ademais, é importante que tal esfera do poder, associada à mídia, desenvolva campanhas publicitárias, com depoimentos de cientistas sociais, que relatem sobre a relação da conexão via rede e o mercado de trabalho, com o intuito de que haja concordância entre os dispositivos constitucionais e os fatos. Dessa forma, resolver-se-ão os problemas relacionados a tal questão no tecido social contemporâneo.