O mercado de trabalho para o jovem contemporâneo: desafios e oportunidades

Enviada em 23/07/2020

Na obra “A Metamorfose”, de Franz Kafka, as relações de trabalho contemporâneas são retratadas como perturbadoras, de forma que o capital é o grande motor das tragédias. Analogamente, o mercado de trabalho atual, para o jovem, é repleto de desafios novos trazidos pela era do capital e da tecnologia. Assim, destacam-se o desemprego estrutural e a informalidade como os representantes das dinâmicas trabalhistas atuais.

Em princípio, as inovações tecnológicas, juntamente da ânsia capitalista por riquezas, produzem o chamado desemprego estrutural, impacto negativo na sociedade que retira empregos e impede sua reposição. Nesse contexto, o jovem que se insere no mercado de trabalho possui exigências curriculares muito elevadas e, por consequência, pode sofrer exclusão social. Dessa forma, o direito constitucional de trabalhar que cada jovem possui é barrado e necessita ser reassegurado.

Por outro lado, há uma tendência laboral de informalização. A esse respeito, pode-se usar como exemplo a reforma trabalhista de 2017 que, ao criar modalidades de trabalho intermitente, promove a aproximação dos trabalhadores formais e informais. Concomitantemente, tal modificação pode ser criticada por retirar direitos trabalhistas já estabelecidos e assegurados, fato que pode causar muitos regressos e injustiças no ambiente de ofício. Com isso, é importante que, dentro das possibilidades atuais, a aproximação das novas gerações com o trabalho informal seja mediada pelo governo para manter direitos mínimos.

Portanto, é impreterível que o Ministério da Economia, em parceria com a Câmara dos Deputados, elabore um projeto de lei que reforce os direitos trabalhistas mínimos dos jovens, por meio de uma emenda constitucional, para que tais sujeitos possam ingressar no mercado de trabalho com plena segurança jurídica e social. Dessa forma, as relações caóticas retratadas por Kafka se poderão se distanciar da realidade humana.