O mercado de trabalho para o jovem contemporâneo: desafios e oportunidades
Enviada em 23/07/2020
A Constituição de 1988 prevê, em seu artigo 205, um sistema educacional brasileiro que visa à qualificação dos estudantes para o mercado de trabalho. No entanto, existe, hoje, uma grande lacuna no que tange à empregabilidade de adolescentes no país. O fato de, segundo o Jornal G1, 40% dos jovens em idade empregatícia não possuírem ocupação, denota a existência de uma carência nesse ramo , que tem origem, principalmente, na educação deficitária e no chamado “paradoxo da experiência”. Assim, contribui-se para o agravamento da precarização do trabalho que afeta a atual geração de jovens. Dessa forma, medidas por parte do Ministério da Educação são imperativas, a fim de mitigar o impasse.
Inicialmente, é necessário salientar que a escola exerce papel fundamental na preparação de um indivíduo para o mercado de trabalho. Portanto, fica evidente que o déficit na educação existente colhe, como fruto, jovens mal preparados para ingressar em novos empregos. Para ilustrar, fica perceptível no documentário “Pro dia nascer feliz” a desmotivação dos estudantes em escolas de baixa qualidade de ensino no Brasil, que gera um alto índice de evasão escolar, deixando de capacitar candidatos qualificados para o ramo trabalhista competitivo. Além disso, como outra causa para a situação da problemática abordada, discute-se a crescente demanda por experiência mínima como requisito para a obtenção de uma vaga de emprego, cria-se um paradoxo em torno de um jovem que não consegue a primeira vaga por não possuir experiência prévia, o chamado “paradoxo da experiência”.
Deve-se abordar, ainda, como consequência desses obstáculos do ingresso dos jovens ao mercado de atividades, a precarização ou “uberização” do trabalho. Sem opções de acesso à vagas que exigem alta qualificação, jovens que aspiram uma vaga migram para ocupações que exigem menos requisitos, ao mesmo tempo que oferecem atividades precárias. A exemplo disso, marcas como Uber e Ifood funcionam de acordo com a “gameficação” do trabalho, criando rankings e metas a fim de provocar um estímulo de competição, que é prejudicial à saúde física e mental do empregado, submetido à baixa remuneração e a ausência de registro na carteira de trabalho.
Em suma, é fundamental que os jovens contemporâneos consigam mais espaço no mercado de trabalho. Nesse sentido, a fim de melhorar a qualificação dos futuros ingressantes, o Ministério da Educação deve ampliar a oferta de cursos qualificantes, por meio de parcerias com instituições de ensino, disponibilizando, de forma acessível, cursos técnicos e de capacitação. Enfim, caminharemos para um mercado de trabalho com jovens mais preparados e um sistema educacional que atende aos moldes da lei maior.