O mercado de trabalho para o jovem contemporâneo: desafios e oportunidades
Enviada em 23/07/2020
Conforme a Constituição Federal de 1988, o exercício do trabalho é um suposto direito de todos os cidadãos e é dever do estado assegurá-lo. No entanto, tal garantia não é efetivamente posta em prática, tendo em vista que, segundo o IPEA, 23% dos jovens brasileiros não trabalham. Vê-se que os desafios da integração do jovem no mercado residem na defasagem do ensino profissionalizante seguida pela desigualdade social no Brasil. No entanto, ao liquidar tais obstáculos, mais indivíduos estarão capacitados para buscar emprego e o fosso de desigualdade será atenuado.
Inicialmente, é necessário salientar que a reprodução de um ensino conteudista ,em detrimento de uma educação profissionalizante, não contempla os desafios que o jovem tupiniquim enfrenta na “corrida” pelo almejada vaga de emprego. Um prova disso são os estudos, feitos pelo IPEA, que demonstram que as razões para o cenário de desemprego jovem são oriundas da falta de habilidades cognitivas e emocionais daqueles que entram em contato com o mercado pela primeira vez, registrando a disfuncionalidade do ensino nacional nesse quesito. Nas palavras de Edgar Morin, um ensino funcional deve estimular o jovem à aplicação de habilidades exigidas no plano social, o que, para Émile Durkheim, representa o alcance da maturidade social. Ou seja, à partir de uma educação que explore as exigências do mercado, haverá a oportunidade de jovens estarem ,emocionalmente e cognitivamente, mais preparados para o mercado.
Em sequência, é importante debater acerca da desigualdade social como fator da desempregabilidade jovem, tendo em vista que, segundo a ONU, a segunda colocação do Brasil, dentre os países mais desiguais do mundo, reflete-se na ocupação massiva de subempregos pela classe menos favorecida. Isso ocorre porque, o ensino conteudista, que não representa uma perspectiva positiva nem para as classes abastardas, não chega à todos, uma vez que muitos jovens têm que trabalhar desde de cedo e largar os estudos para sustentar a família, ocupando cargos de subemprego desde criança sem a possibilidade de ascender socialmente. Nesse panorama, a democratização do acesso à educação oportuniza os jovens a terminar os estudos e a ocupar cargos mais remunerados.
Portanto, para quitar os desafios do ingresso de jovens no mercado, o Governo Federal deve criar um fundo monetário voltado para pesquisas, realizadas por acadêmicos de pedagogia em universidades públicas, que busquem formas eficientes de adotar metodologias profissionalizantes nas escolas públicas e privadas. Em sequência, o Governo Federal deve criar, também, um auxílio monetário, distribuído pelo Ministério da Cidadania em conjunto com o MEC, para jovens que têm que concluir a escola mas enfrentam dificuldades financeiras .