O mercado de trabalho para o jovem contemporâneo: desafios e oportunidades

Enviada em 25/07/2020

Muito tem se falado acerca dos jovens ditos “nem-nem”, os quais não estudam nem realizam a atividade laboral. De acordo com o IPEA - Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada -, cerca de 23% dos jovens brasileiros estão inseridos nesse grupo. Nessa conjuntura, é válido não só refletir sobre o atraso de tais indivíduos para o ingresso no mercado de trabalho - o qual possui raízes em fenômenos sociais característicos de tal faixa etária -, como também elencar as oportunidades e facilidades do grupo em questão no mundo laboral.

Em primeiro plano, é visível que os jovens atuais muito se diferem de seus antepassados dentro das diversas esferas da vida, como a do trabalho. Esse fenômeno é descrito pelo conceito sociológico  de “Gerações”, as quais concederiam características em comum aos indivíduos nascidos na mesma época. Desse modo, os jovens hodiernos estariam inseridos nas ditas gerações “Millenials” e “Z”, caracterizadas pelo maior tempo de transição entre infância e vida adulta, além de serem mais propensas ao desemprego e instabilidade na escolha de carreiras. A partir do panorama descrito, muitos jovens podem ter dificuldades para iniciar e manter a atividade laboral, configurando-se, então, riscos financeiros e instabilidade para o futuro dessa juventude.

Todavia, há também aspectos positivos das particularidades da classe juvenil, os quais podem favorecer o grupo em questão, bem como as empresas contratantes. Assim, levando em conta que vive-se em um “Meio técnico-científico-informacial”, de acordo com o geógrafo Milton Santos, as gerações mais recentes facilmente se enquadram nos moldes atuais, visto que nasceram juntamente com o tal meio. Dessa maneira, os requisitos do mercado de trabalho, cada vez mais modernizado e tecnológico, são facilmente alcançados pelo jovens. Ademais, as novas profissões que vêm surgindo - como administrador de redes sociais, por exemplo -, são pertinentes à juventude hodierna, haja vista que buscam trabalhadores maleáveis e criativos, assim como as gerações “Millenials” e “Y”. Faz-se necessário, assim, enaltecer tais características de tais indivíduos para o sucesso na esfera trabalhista.

É perceptível, portanto, que os jovens contemporâneos vivem no dilema de serem propensos à oscilação no trabalho, ao passo que possuem diversas qualidades necessárias ao mundo atual. Nessa conjuntura, é cabível que instituições de ensino auxiliem no direcionamento desses indivíduos ao mercado de trabalho. Para tanto, no Brasil, isso pode ser feito por meio de programas de iniciação trabalhista no Ensino Médio. Esses projetos teriam a presença de psicólogos e empresários, que, por meio de palestras, auxiliariam os jovens na escolha profissional, bem como no ingresso e permanência  ao mercado de trabalho.