O mercado de trabalho para o jovem contemporâneo: desafios e oportunidades

Enviada em 25/07/2020

A atual legislação brasileira assegura a participação de jovens no mercado de trabalho. É exigido de empresas de médio e grande porte que no mínimo 5% de seus funcionários sejam aprendizes, desde que estes frequentem algum centro de ensino. Entretanto, a persistência de defeitos sociais e educacionais no país ameaça a inserção efetiva dos jovens no mercado de trabalho nacional, além de agravar outras questões da sociedade brasileira, tais como a marginalização.

Em primeira análise, é válido ressaltar que a situação problemática apresentada é proporcionada por outras complicações sociais, dentre elas a permanência de diversas formas de preconceito e exclusão nos ambientes de trabalho brasileiros. Como exemplo, pode-se citar a contínua desigualdade étnica no acesso pleno às oportunidades de emprego formal. Segundo dados divulgados pelo IBGE, menos de 9% da população negra brasileira se encontra inserida no mercado de trabalho formal, estatística que corrobora a exclusão sofrida por esse grupo. Ademais, há uma desigualdade notória no âmbito da educação nacional. Embora conte com centros de escolarização que funcionam com alta eficiência, o Brasil apresenta fragilidade no que se refere ao ensino público. O documentário “Pro dia nascer feliz”, apesar de não ser uma gravação recente, apresenta a realidade deplorável em que muitas escolas públicas brasileiras ainda se encontram: infraestrutura de péssima qualidade, carência de professores, exposição de docentes e discentes a diversas formas de violência.

Nesse contexto, essas questões constituem obstáculos para a inserção dos jovens no mercado de trabalho brasileiro. A escolarização deficiente culmina na desqualificação do estudante em sua formação profissional, reduzindo, assim, sua eficiência enquanto trabalhador e suas oportunidades de conquistar uma vaga de emprego. Além disso, centros de ensino que se convertem em ambientes desagradáveis acabam por estimular a evasão escolar, aspecto que o documentário supracitado também retrata. Dessa forma, os jovens são lançados ao desemprego, à marginalização ou a empregos informais de baixíssima remuneração. A exclusão social fundamentada em preconceitos citada anteriormente agrava esses problemas, visto que reduz consideravelmente as oportunidades de emprego disponíveis para jovens pertencentes a grupos sociais menos favorecidos.

É, portanto, indubitável que a inclusão dos jovens nos ambientes de trabalho brasileiros é uma questão urgente que demanda ações afirmativas. A melhoria das condições estruturais e educacionais em escolas públicas deve ser priorizada pelo Ministério da Educação e por órgãos públicos municipais. O investimento financeiro nesses ambientes resultará na melhor formação dos estudantes enquanto profissionais e reduzirá a evasão escolar que agrava a situação problemática em questão.