O mercado de trabalho para o jovem contemporâneo: desafios e oportunidades

Enviada em 25/07/2020

Foi durante o governo de Getúlio Vargas que as relações de trabalho sofreram grandes transformações. Nesse período surgiu a CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas), cujas diretrizes conferiam ao trabalhador direito como férias remuneradas e salário mínimo. No entanto, desde então, a área laboral enfrenta desafios como a deficiente inserção de jovens no mercado de trabalho, a qual decorre de inoperância do próprio indivíduo e também da falta de oportunidades dadas a eles. Logo, a superação pessoal e a responsabilidade institucional dos empregadores devem ser discutidas.

A princípio, é necessário analisar o comportamento de pessoas que nem estudam nem trabalham. Nesse sentido, de acordo com o IPEA - Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada -, mais de 20% dos jovens brasileiros estão nessas condições, muitos morando com os pais e acomodados em sua zona de conforto. Sob esse aspecto, tal comportamento é problemático, pois o mercado de trabalho encontra altos níveis de competitividade, o que exige grandes doses se superação e flexibilidade do trabalhador para lidar com múltiplas funções em um mundo regido pela tecnologia. Dessa forma, os jovens perdem a chance de se dedicar à vida profissional e acabam estagnados, contribuindo para sua insipiente presença nessa área.

Por outro lado, é imprescindível citar a responsabilidade institucional na questão, a qual, muitas vezes, não oferece oportunidades suficientes aos recém-formados. Acerca disso, é comum que empresas exijam experiência prévia na área de contratação, fato que se torna incoerente diante da realidade, uma vez que, se não forem cedidas oportunidades aos candidatos, eles nunca terão experiência. Com efeito, tal aspecto se relaciona com o pensamento do filósofo Rousseau, que diz que o progresso de uma sociedade está intrinsecamente ligado à autonomia social dos cidadãos que a compõem, sendo a inserção no trabalho incluída nessa autonomia. Depreende-se, então, que, para alcançar o progresso, é preciso ampliar as oportunidades dadas aos jovens.

Fica claro, portanto, que o mercado de trabalho para essa população possui desafios que precisam ser superados. Por conta disso, o Ministério da Cidadania deve criar um projeto de fomento à presença juvenil na área. Isso pode ser feito por meio da oferta de minicursos ministrados por profissionais renomados de empresas, no sentido de aperfeiçoar a qualificação dos estudantes e contar isso como experiência, com vistas a aumentar as chances de colocação profissional. Além disso, o mesmo Ministério deve incentivar os jovens a romper comodismos, mediante postagens chamativas em redes sociais, a fim de que se esforcem e queiram adentrar no mercado. Assim, a presença deles endossará a população que, desde a época de Getúlio, desfruta dos direitos trabalhistas na sociedade.