O mercado de trabalho para o jovem contemporâneo: desafios e oportunidades

Enviada em 26/07/2020

Com o advento da Terceira Revolução Industrial, o mundo vem tornando-se cada vez mais interligado, globalizado e industrializado, exigindo cada vez mais profissionais capacitados e qualificados. Nessa perspectiva, surge, então, no pós-crise do liberalismo do século XX, o Toyotismo, um sistema de produção neoliberal que prioriza a automação industrial e a aptidão tecno-cientifica dos proletários. Contudo, o mercado de trabalho fica cada vez mais rígido, limitado e desigual. Nesse contexto, muitos jovens têm de enfrentar desafios na sua carreira profissional, seja pela falta de oportunidades de inserção em cursos capacitativos, seja pela desigualdade socioeconômica sobre o qual cada indivíduo estabelece em seu meio.

Em primeiro lugar, a baixa disponibilidade de cursos técnicos devido a alta procura por vagas fomenta ainda mais esse déficit da competência profissional. Nesse sentido, pessoas de baixa renda, sem condições financeiras para custear uma formação técnica-profissional, caminham a deriva de vagas de emprego, já que, o ensino público, não dispõe vagas suficientes à formação da qualificação profissional gratuita. Ademais, de acordo com o filósofo Immanuel Kant, o ser humano é aquilo que a educação faz dele. Logo, pela perspectiva de Kant, concluí-se que o ensino de qualidade ofertado de forma abrangente, desenvolve o indivíduo para a integração à vida social e profissional. Por isso, a falta de oportunidades é um empecilho para a colocação do jovem ao mercado de trabalho.

Em segundo lugar, o constante desequilíbrio social, acarreta ainda mais a dificuldade de jovens residentes em periferias à sua ascensão no mercado. Segundo a Agência Brasil, cerca de 23% dos jovens não trabalham nem estudam, outros 23% trabalham para se susterem, sem tempo para o estudo e à qualificação profissional. Isso se deve, graças a falta de políticas públicas, obrigações como arrimo de família, distúrbios emocionais, frágil sistema público educacional e a baixa demanda de programas sociais empregatícios. Além disso, prevalece a essência do pensamento meritocrata na sociedade contemporânea que, contruí substancialmente na exclusão de jovens que não possuem chances nas relações trabalhistas, dado que a falta de oportunidade o excluí da sua capacitação profissional.

Portanto, são necessárias medidas capazes de mitigar essa problemática. Para tanto, o Ministério Público do Trabalho (MPT) deve, em conjunto com as prefeituras, inserir programas de qualificação e capacitação de jovens de baixa renda, para implementar uma melhor abrangência do jovem ao setor tecnológico-científico, o que diminui o rombo das desigualdades que assolam o país. Nessa perspectiva, o poder público é responsável pela criação de centros de instruções profissionais e pela restauração e desenvolvimento da rede pública para que assim, esse impasse seja resolvido.