O mercado de trabalho para o jovem contemporâneo: desafios e oportunidades
Enviada em 22/09/2021
Promulgada em 1988, a Constituição Federal assegura, em seu artigo sexto, o direito ao trabalho. Entretanto, inserir-se no mercado nem sempre é uma tarefa simples para o jovem contemporâneo, devido a questões socioeconômicas diversas. Diante disso, com o fito de mitigar a problemática, cabe ao Estado a revisão das políticas públicas inerentes ao tema e, à sociedade, a conscientização ostensiva e a cobrança às autoridades competentes por melhores condições de acesso.
Sob esse viés, tem-se que, ao facilitar a entrada dos jovens no mercado, os indicadores de desigualdade social são, consequentemente, reduzidos. Nesse ínterim, sabe-se que, segundo dados oficiais, o coeficiente de gini (medidor internacional de desigualdade) do país encontra-se acima de “0,5”, o que deixa o Brasil entre as dez nações mais desiguais para se viver. Dessa forma, evidencia-se que são necessárias políticas públicas que reduzam o desemprego e facilitem a contratação dos jovens, com foco aos menos favorecidos.
Em segundo plano, salienta-se que a sociedade deve assumir o protagonismo em prol das mudanças sociais almejadas. Nesse ensejo, o antropólogo Roberto DaMatta, em “Carnavais, malandros e heróis”, critica a inércia do brasileiro, por esperar a proatividade política na solução das demandas existentes. Em contrapartida, como sustenta o autor, tem-se que resultados melhores são alcançados quando o povo participa ativamente dos processos de mudança. Dessa feita, torna-se claro que a conscientização sobre as formas de ingresso no ramo profissional devem ser iniciadas, ainda, no seio familiar e nas escolas.
Dessarte, depreende-se que o Estado e a sociedade são entes copartícipes da inserção profissional do jovem contemporâneo. Logo, cabe ao Congresso Nacional, por meio de processo legislativo instituído, a abertura de uma comissão permanente com vistas a revisar a legislação trabalhista e buscar soluções. Para isso, os parlamentares deverão levantar as demandas junto a especialistas no assunto e à sociedade, a fim de conferir pluralidade às novas normas. Nesse ponto, uma boa linha de ação consiste na publicação de uma norma que conceda descontos fiscais às empresas que contratem percentuais acima do obrigatório de jovens aprendizes, desde que estejam cursando o ensino regular. Assim, gradativamente, a desigualdade será manejada e o país será beneficiado.