O mercado de trabalho para o jovem contemporâneo: desafios e oportunidades
Enviada em 26/07/2020
A Revolução Técnico-Científico-Informacional, institucionalizada no século XXI, trouxe um novo modelo de trabalhador ideal, o informado, qualificado e experiente. Nesse cenário, constata-se a existência de desafios e oportunidades aos novos trabalhadores, ocasionados por essa idealização. Sob essa perspectiva, verfica-se que esses entraves aos jovens estão relacionados à dificuldade de sair do núcleo familiar e às poucas, porém crescentes, chances de estágio em grandes corporações do mercado do trabalho.
A princípio, é imprescindível apontar que a dificuldade do jovem de sair do núcleo da família cofigura um óbice dessa questão. Nesse contexto, o sociólogo Émile Durkheim destaca o conceito de socialização primária, que corresponde à criação de laços afetivos com os familiares durante o primeiro momento de internalização das regras morais. Sob esse viés, infere-se que múltiplas oportunidades de crescimento profissional são perdidas por consequência do fortalecimento das relações familiares. Dessa forma, percebe-se que tal cenário deve ser mudado.
Ademais, convém apontar que outro fator determinante nesse processo são as ínfimas chances de qualificação profissional. Nessa perspectiva, é possível salientar que durante a Revolução Industrial, o modelo de trabalhador exigido era diferente do atual, não sendo seletivo quanto à participação de diversos setores da sociedade. No entanto, na atualidade, tal quadro reverteu-se, o que promove uma dificuldade do jovem quanto à entrada no mundo do trabalho, pois as chances de adquirir um estágio ou “trainee” são conseguidas com muito esforço, haja vista a exigência de experiência como pré-requisito. Logo, percebe-se a necessidade da atuação do Estado nesse contexto.
Portanto, é de extrema urgência que o Poder Legislativo - por ser o órgão governamental responsável por questões dessa magnitude - reformule a lei que auxilia os jovens a entrarem no mercado de trabalho, subindo para mais de 5% a cota mínima de estagiários nas empresas, além de estender o limite para acima de 15%. Tal ação deve ser realizada por meio de um projeto de lei a ser encaminhado para a Câmara dos Deputados, a fim de fazer com que, assim, sejam promovidas novas oportunidades aos novatos do mundo do trabalho, fazendo com que estes se adequem ao novo modelo trazido pela Revolução Técnico-Científico-Informacional.