O mercado de trabalho para o jovem contemporâneo: desafios e oportunidades

Enviada em 29/07/2020

Na trilogia “Divergente “, da autora Verônica Roth, narra-se a jornada da protagonista Tris em um universo distópico. Na obra, a sociedade divide-se em “facções” e, quando os adolescentes completam 16 anos, decidem o seu futuro ao migrar para uma nova “casta” ou permanecer com a família. Fora da ficção, com um mercado de trabalho hodierno moldado de acordo com as inovações tecnológicas, as escolhas da nova geração tornam-se maleáveis devido ao forte incentivo na sua inserção. Entretanto, seja pelas limitações estruturais na contratação, seja pela alta exigência de aprimoramento, as lacunas na integração dos jovens na esfera profissional persistem no contexto brasileiro.

Em primeira análise, cabe ressaltar as divergências entre a procura de novos empregados e as falhas no processo de seleção. Com a prerrogativa da tecnologia como melhor investimento após a revolução técnico-científica, as oportunidades para a “geração z”- indivíduos com grande afinidade com tais inovações- destacam-se, devido à necessidade de rápida adaptação das empresas. Todavia, as arcaicas estratégias, tanto na esfera pública quanto privada, para o primeiro emprego dos brasileiros impossibilitam sua integração por meio do “complexo da experiência”. Assim, impõem-se dos candidatos habilidades incompatíveis com a realidade da nova geração que almeja iniciar a carreira profissional, e, mesmo com um grande número de vagas em aberto, configura-se um país com mais de 20% de jovens desempregados, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea). Logo, comprova-se os reflexos na falta de mudanças estruturais de contratação da juventude.

Ademais, o aumento de oportunidades de trabalho no século XXI apresenta reflexos sociais. Nesse sentido, o empreendedorismo e o “home office” tornam-se novas possibilidades de renda aos jovens autônomos em razão das facilidades da internet. Contudo, com as restrições de um mercado altamente especializado e exigente, materializa-se uma “sociedade do cansaço”, pautada pelo desempenho individual e pela violência sistêmica, de acordo com o filósofo Byung Chul Han. Sob essa ótica, cada um acredita na ilusão de tudo poder e que bastam determinação e esforço para realizar sonhos. Dessa maneira, o sujeito torna-se ele mesmo o seu feitor ao cobrar máxima eficiência em suas ações, em que resulta em danos na saúde mental e distancia a nova geração de uma qualidade de trabalho plena.

Torna-se evidente, por fim, a importância de mudanças estruturais e sociais para melhor administrar a participação da juventude no mercado de trabalho. Sendo assim, cabe ao Ministério da Educação a instalação de cursos profissionalizantes em escolas públicas, além de palestras frequentes, acerca eixos mais requisitados em empresas contratantes, com o intuito de qualificar os jovens e facilitar suas escolhas. Desse modo, certamente, a nova geração distanciar-se-á da afirmação de Byung.