O mercado de trabalho para o jovem contemporâneo: desafios e oportunidades
Enviada em 31/07/2020
A lei do aprendiz, de 2000, determinou que todas as empresas de médio e grande porte devem ter de 5% a 15% de seu quadro de funcionários composto por pessoas de 14 a 24 anos, tornando-se, assim, uma ponte de inserção de jovens no mercado de trabalho no Brasil. Entretanto, mesmo com sua implementação há duas décadas, diversos deles ainda enfrentam os infinitos desafios e agarram as poucas oportunidades de trabalho existentes. Dessa forma, muitos aprendizes encontram-se coagidos, o medo de não conseguir outra vaga abre espaço para a insegurança e, consequentemente, facilita diversos tipos de abusos por parte do empregador.
Em princípio, é importante entender como a insegurança e o medo está presente no cotidiano de jovens e se ampliam quando os mesmos precisam enfrentar novos desafios, como o de conquistar o primeiro emprego, tendo que conviver em um ambiente antes desconhecido. Uma pesquisa realizada pelo NUBE (Núcleo Brasileiro de Estágios) em 2015, mostrou que cerca de 50% dos 10 mil entrevistados, encontraram dificuldade por conta das poucas ofertas e do alto índice de candidatos qualificados, o que aumenta ainda mais o sentimentos de desanimo e dúvida quanto ao futuro. Tais fatos colaboram para que os já inseridos no mercado de trabalho temam perder suas posições, que em muitos casos já são desfavoráveis e sem incentivo, para outros candidatos, o que cria um ambiente de trabalho desgastante e abre espaço para o controle exacerbado de superiores.
Cabe ressaltar, em segundo plano, dois dos fundamentos da Constituição Federal: a dignidade da pessoa humana e os valores sociais do trabalho. Dessa forma, a lei deveria ser exercida de modo a incentivar e abranger, o que não ocorre quando se torna uma barreira para impedir o controle exagerado do patrão, sobretudo, em adolescentes. A insegurança dos jovens aliada a desobrigação de empresas em criar vínculos de trabalho, como é o caso do estágio, só alimenta a falsa sensação de poder por parte do empregador, que poderá, sem muitos prejuízos, substituir e manipular esses aprendizes de forma a banalizar suas ações, impedido-os de crescer profissionalmente.
É evidente, portanto, a necessidade de iniciativas para o aumento de oportunidades e inclusão de jovens no âmbito profissional, além da manutenção da relação chefe/funcionário. Para isso, cabe ao MTE (Ministério do Trabalho) a elaboração de um plano de incentivo ao primeiro emprego que, através da seleção de dados pessoais de diversos jovens, enquadrará seus perfis a necessidade de empresas, evitando a substituição de aprendizes, além de garantir a estabilidade necessária em casos de dispensa, com o pagamento de benefícios como o 13º salário e a obrigação de um período mínimo de trabalho, possibilitando, dessa forma, a ascensão profissional de diversos jovens.