O mercado de trabalho para o jovem contemporâneo: desafios e oportunidades
Enviada em 28/07/2020
Na obra pré-modernista, “Triste fim de Poliquarpo Quaresma”, do escritor Lima Barreto, o major Quaresma, grande admirador do país, acreditava que, se superados alguns desafios, o Brasil alcançaria o patamar de nação desenvolvida. Hodiernamente, fora da literatura, percebe-se que tal horizonte literário não mimetiza a realidade atual, visto que o núcleo brasileiro ainda enfrenta sérios problemas, dentre eles a falta de inclusão dos jovens no mercado de trabalho brasileiro. Esse âmbito de iniquidade, é fruto tanto do desleixo político do Estado quanto do silenciamento pessoal.
Deve-se analisar, primeiramente, que o desinteresse do Estado é um fator determinante para problemática. Segundo o sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, o conhecimento deve estar vinculado aos problemas do presente. Nesse viés, evidencia-se a ausência de políticas públicas suficientemente efetivas para interação dos jovens na economia nacional. Esse sentido é comprovado, pelo papel passivo que o Ministério do Trabalho exerce na administração do país, ou seja, intitulado para promover a potencialização do trabalho entre todos os indivíduos, tal órgão ignora ações que poderiam potencialmente formentar a inclusão dos jovens no mercado atual, como programas de inserção juvenil em tarefas empresariais e até mesmo cursos de capacitações profissionais. Desse modo, o Governo atua como agente perpetuador na estagnação econômica trabalhista. Logo, é substancial a dissolução desse panorama infringente.
É vital evidenciar, ainda, que a falta de oportunidades para os jovens no Brasil encontra terreno fértil no silenciamento da população. Acerca dessa assertiva, Habermas faz uma contribuição que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Sob essa óptica, para que haja a inclusão dessa parcela qualitativa, é necessário discutir sobre. No entanto, verifica-se certa lacuna no que se refere a essa questão, que ainda é muito silenciada, pois a população se mantém passiva e calada diante tal problematização, além do que, conforme o levantamento do PNAD, em 2019, a taxa de desemprego entre os jovens dobrou para 26%. Nessa lógica, trazer à parte esse tema e debatê-lo, amplamente, aumentaria a chance de atuação nele.
Portanto, pela perspectiva de Isaac Newton, uma força só é capaz de sair da inércia se outra lhe for aplicada. Em vista disso, depreende-se o Poder Público, como instância máxima da administração executiva, juntamente com o Poder Legislativo, por meio de ações: leis de inclusão dos jovens no cenário profissional, programas de qualificações trabalhistas, como cursinhos de formações econômicas, para que, de tal forma, os jovens possam ter mais oportunidades no meio profissional brasileiro. Somente, assim, os ideais do major Quaresma poderão ser evidenciados na nação.