O mercado de trabalho para o jovem contemporâneo: desafios e oportunidades
Enviada em 28/07/2020
O século XX, devido às guerras, foi marcado pela inserção prematura dos jovens no mercado de trabalho. Enquanto o jovem do passado, em dificuldade de subsistência, não tinha oportunidade de escolher sua profissão, precisava desafiar-se a desbravar as que surgiam e amadurecer precocemente, o jovem atual, que goza de acesso a informação nunca antes visto, oportunidades de aprendizado interativo e direitos que lhes preservam do trabalho, sofre com a dificuldade de se inserir no mercado de profissional, mesmo tendo todas as oportunidades, mas que se recusam a enfrentar os desafios. O que em tese seria um facilitador, não vem surtindo efeito, logo, tal problemática leva ao seguinte questionamento: Se tempos difíceis formam profissionais fortes, o que fazer para que tempos mais amenos não produzam profissionais fracos? Educando-os para que assumam-se como adultos.
O filósofo Luiz Felipe Pondé, em uma análise de uma pesquisa feita em 52 país sobre os motivos que fazem a nova adolescência durar até os 24 anos, dentre os vários fatores que justificam tal mudança, destaca que a sociedade atual está em relativa plenitude econômica, logo, há mais empregos, porém, com processos mais eficientes, nasce uma tendência de que se paguem menores salários. Tal situação gera um conflito nas perspectivas do jovem, desestimulando-os a amadurecer, pois, implica em uma mudança do seu modo atual de vida, sendo necessário um controle que hoje não os pertence, mas sim aos seus responsáveis, ou seja, nas palavras de Pondé, entende-se que desenvolve uma espécie de “Sindrome de Peter Pan”, a de querer ser criança eternamente.
Mesmo com incentivos e programas que visam a inserção gradativa no mercado de trabalho, como estágios e um meio que clama pela criatividade e incrível capacidade que é inerente ao jovem atual, a situação de comodismo e esperar pelo momento ideal, apontam para um “culpado central”, os pais ou responsáveis. Segundo a coluna “Pais e Filhos” do Canal UOL, da série de desculpas que fazem uso os pais, a que mais se destaca é a de que querem dar o que não tiveram aos seus filhos.
Portanto, por mais que se reserve aos pais o trabalho de incentivar seus filhos, não se pode esperar que isso se faça naturalmente. Sendo assim, resta ao governo promover a intensificação da busca do jovem pelo mercado de trabalho, pelo lado das empresas, concedendo benefícios para as que ofereçam oportunidades e garantam o aprendizado, e, pelo lado familiar, envolvendo também os pais, através de “chamadas” mediadas pela escola e faculdades, exigindo que no caso de não aceitação da oportunidade, que estes expliquem os motivos e recebam orientação quanto a importância do trabalho e como tal prática engrandecerá no crescimento profissional do adolescente.