O mercado de trabalho para o jovem contemporâneo: desafios e oportunidades

Enviada em 31/10/2020

No livro Admirável Mundo Novo, do escritor Aldous Huxley, é retratado uma sociedade organizada, na qual cada cidadão possui um emprego. Diferente da ficção, o jovem contemporâneo enfrenta vários desafios e oportunidade para ingressar no mercado de trabalho, dentre eles se destaca a  fragilidade da formação educacional de grande parte da população, situação agravada pela crise econômica no Brasil. Isso impacta diretamente na qualidade de vida e na possibilidade de ascensão social dos indivíduos.

De acordo com o Instituo Brasileiro de Geografia e Estatística, 20% dos jovens entre quatorze e 29 anos não possuem o Ensino Médio completo, em decorrência, sobretudo, do abando dos estudos, impulsionado pela necessidade de obter renda informalmente. Outra razão é a má qualidade da educação que motiva a inserção precoce no mercado, com postos de trabalho precários e reduzidas chances de melhoria profissional e social. Essa conjuntura aprofunda o desengajamento econômico, isto é, uma parcela significativa dos habitantes deixam de acumular capital humano, por conseguinte, diminui a produtividade do país, segundo especialistas se a economia informal se legalizasse, o Produto Interno Bruto brasileiro poderia ter um aumento de quase 30%.

Conforme pesquisa da Fundação Getúlio Vargas, durante o período de 2014 e 2019, as pessoas entre quinze e 29 anos perderam 14% da renda proveniente do serviço, sendo que entre os menos favorecidos, a perda foi de 24%. Esse dado reflete  a crise econômica que iniciou-se no Brasil em 2014, a qual tende a diminuir as vagas dignas de trabalho para a juventude, visto que as firmas priorizam os funcionários mais experientes, em quem investiram em treinamento e capacitação. Apesar dos muitos desafios, as empresas tem oferecido oportunidades, mesmo que insuficientes, para a incorporação dos adultos recém-formados ou em formação no ambiente corporativo, como programas de estágio e trainees, que ajudam na contratação posterior do estudante.

É evidente, portanto, que o Ministério da Educação deve elevar a instrução e a qualificação dos jovens, ao dar condições e incentivos para que permaneçam na escola, mediante a concessão de bolsas para estudantes de baixa renda, além de ofertar requalificação e reciclagem para aqueles que não obtiveram boa formação, logo minimizar a expressiva desigualdade educacional do país e evitar a entrada precoce no mercado de trabalho, propiciando a diminuição das diferenças sociais. Também, o Estado precisa ampliar a quantidade de Centros de Integração Empresa-Escola, por meio da oferta de subsídios as essas organizações não governamentais, cujo objetivo é fornecer a experiência necessária exigida pelas firmas, desta forma ampliar as oportunidades de emprego a juventude.