O mercado de trabalho para o jovem contemporâneo: desafios e oportunidades
Enviada em 30/07/2020
A animação infantil “Cinderela”, dos estúdios Disney, mostra a vida de uma jovem que tem sua mão de obra explorada por sua madrasta, que a obriga a fazer todas as tarefas domésticas. De maneira análoga, fora da ficção, muitos jovens como a Cinderela encontram dificuldades em ingressar no mercado de trabalho, por conta da exploração do trabalho não remunerado e da falta de oportunidades para trabalhadores sem experiência profissional.
Em primeira análise, cabe ressaltar que a exploração da mão de obra jovem em trabalhos não remunerados dificulta sua entrada no mercado de trabalho. Dessa maneira, ao alcançar a idade certa para ingressar no mercado, alguns jovens tem seu tempo ocupado por tarefas não remuneradas, como as domésticas, o cuidado de crianças ou idosos etc. Assim, esses tornam-se prejudicados em relação aqueles que possuem tempo livre para ingressar no mercado, visto que dedicam seu tempo à ocupações não remuneradas. A exemplo disso, de acordo com a pesquisa realizada pela ONG Oxfam, as mulheres jovens exercem cerca de 75% dos afazeres não remunerados no mundo, o que dificulta seu ingresso no mercado de trabalho e as torna invisíveis para o mesmo. Portanto, nota-se que uma parcela dos jovens brasileiros enfrenta o desafio de uma jornada dupla de trabalho, conciliando tarefas não remuneradas com as remuneradas, ou então, assim como Cinderela, exercem tantas tarefas sem remuneração que não lhes resta tempo para outra atividade.
Ademais, a falta de oportunidade para jovens sem experiência profissional é outro desafio encontrado pelos mesmos. Dessa forma, a taxa de desemprego entre indivíduos de de 18 a 24 anos no Brasil é maior que das outras fachas etárias, de acordo com a pesquisa feita pelo Pnad em 2020. Nesse sentido, nota-se que a juventude enfrenta maiores desafios para achar emprego e não é valorizada a falta de experiência profissional pelo mercado, o que contraria a ideia do filósofo John Locke de que o ser humano é uma folha em branco que deve ser preenchida e moldada pelas experiências. Assim, a falta de experiência é vista de forma negativa pelos empregadores, todavia, pode ser um aspecto positivo, já que o jovem pode aprender o modo de produção e os valores da empresa, o que preencheria o papel em branco exemplificado por John Locke.
Em suma, urge a necessidade da Secretaria do Trabalho incentivar programas como o Jovem Aprendiz, que incentiva a contratação de jovens entre 14 e 24 anos através da Lei da Aprendizagem, por meio do aumentos dos incentivos fiscais recebidos pelas empresas ao contratar aprendizes, com a finalidade de aumentar o número de cargos para esses e diminuir o desemprego entre os mesmos. Além disso, a sociedade deve combater o trabalho não remunerado.