O mercado de trabalho para o jovem contemporâneo: desafios e oportunidades
Enviada em 31/07/2020
Em “Nova Atlântida”, cidade utópica idealizada pelo filósofo inglês Francis Bacon, concebe-se uma sociedade harmônica e próspera, onde vigora a primazia do conhecimento e a isonomia de direitos. Em contrapartida, ao analisar as disparidades de condições de acesso ao mercado de trabalho pelo jovem brasileiro, torna-se evidente o preocupante distanciamento do modelo ideal pensado pelo autor. Assim, seja devido à ausência de fiscalização estatal sobre os processos seletivos no setor privado ou ao ensino precário dos cursos superiores, tal problema tem representado um grave entrave à conjuntura socioeconômica nacional.
Inicialmente, deve-se pontuar que as constantes práticas de nepotismo e os sistemas de seleção personalistas nas grandes empresas do país derivam da insuficiente atuação dos órgãos governamentais na fiscalização dessas condutas. Segundo o filósofo contratualista John Locke, é dever do Estado garantir os direitos naturais e o equilíbrio social, entretanto isso não ocorre no Brasil. Devido à inércia estatal, a grande maioria das organizações privadas seguem critérios injustos de seleção de funcionários, priorizando amigos, parentes e valendo-se de processos de contratação corrompidos. Assim, infelizmente, a escassez de processos meritocráticos desmotiva muitos jovens e frustra o ingresso dos mesmos no mercado de trabalho.
Ademais, faz-se mister ressaltar a deficitária carga de conteúdo prático, em muitos cursos universitários, como um causador da limitação de oportunidades aos recém-formados. De acordo com o educador e filósofo brasileiro Paulo Freire, “Se a educação sozinha não pode transformar a sociedade, tampouco sem ela a sociedade muda.” Partindo desse pressuposto, percebe-se que a excessiva carga de disciplinas teóricas e a falta de empenho das instituições de ensino superior em preparar, de fato, o discente para o mercado de trabalho contribui para a perpetuação desse quadro deletério. Dessa forma, é inadmissível que, em uma sociedade altamente tecnocrática e exigente, as universidades negligenciem aspectos fundamentais da formação profissional.
Dessarte, medidas estratégicas devem ser adotadas para mitigar os desafios do mercado para o jovem contemporâneo. Para isso, necessita-se que o Ministério da Educação, em parceria com as instituições publicas e privadas de ensino, reformule a grade curricular do ensino superior, por meio da inserção de matérias técnicas e estágios supervisionados desde as fases iniciais do curso. Espera-se, com isso, garantir uma formação mais adaptadas às demandas do mercado e reduzir o desemprego entre os jovens brasileiros.