O mercado de trabalho para o jovem contemporâneo: desafios e oportunidades

Enviada em 18/08/2020

A inserção dos jovens no mercado de trabalho é um dos grandes gargalos das políticas de emprego. Isso porque os desafios e oportunidades desse mercado apresentam peculiaridades que nem sempre são atendidas por todos os jovens brasileiros. Assim, faz-se necessário um olhar sistêmico desse problema a fim de discutir os entraves da formação da atual força de trabalho e intervir na alteração desse cenário.

Um dos contratempos para inserir a maioria dos jovens no mundo do trabalho relaciona-se às deficiências na formação educacional. Nesse sentido, a garantia de direitos à educação assegurada pela Declaração Universal dos Direitos Humanos, tem sido amplamente relegada de muitos jovens, que se veem privados de educação profissional de qualidade devido ao modelo atrasado de currículo educacional. Com isso, verifica-se o desafio de se inserir indivíduos desprovidos de habilidades e resulta na marginalização uma camada social importante de pessoas em idade produtiva.

Por outro lado, a atual formação do mundo do trabalho tem se mostrada duelista quanto a configuração tradicional. Nesse contexto, com a redução de trabalhadores com “carteira assinada” e a extinção dos concursos públicos, o mercado tem exigido maior adaptabilidade dos jovens às novas oportunidades de emprego ou características de empreendedorismo para criar carreiras autônomas. Dessa forma, além da formação técnica, as atuais oportunidades também estão relacionadas às caraterísticas comportamentais do jovens e necessitam de investimento nesse aspecto da formação.

Assim, a análise do atual mercado de trabalho tem alertado para a importância de se atender outras necessidades visando reduzir esse gargalo. Urge, assim, uma força-tarefa efetiva envolvendo os Ministérios da Educação e do Trabalho para formatar um novo Plano Universal de Educação que inclua disciplinas que trabalhem o desenvolvimento de habilidades cognitivas, comportamentais e motoras desde os primeiros anos de alfabetização e culminem na oferta de cursos de formação profissional de acordo com as demandas vigentes. Tais medidas devem ser reavaliadas e adequadas periodicamente, com o intuito de manter atualizada a formação de mão de obra de acordo com a necessidade do mercado. Dessa forma ter-se-á uma sociedade brasileira que realmente se preocupa com a juventude ao passo que intervém em aspectos que impactam o presente e o futuro do país.