O mercado de trabalho para o jovem contemporâneo: desafios e oportunidades
Enviada em 02/08/2020
Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, afirma que, no mundo contemporâneo, o mercado de trabalho exige maior qualificação dos seus trabalhadores e, na mesma medida, reduz seu quadro de vagas. Nesse cenário de grande competitividade laboral, observa-se o frequente despreparo dos jovens brasileiros para ingressar nesse setor, reflexo do descumprimento das leis vigentes pelo empresariado nacional, bem como da educação ainda deficitário no país. Essa conjuntura desestimula a juventude e reduz suas oportunidades de trabalho.
Diante disso, é indubitável que a escassez de fiscalização no setor empregatício, no Brasil, esteja entre as causas dessa preocupante realidade. Segundo o Ministério da Justiça, apenas 1,5% das empresas brasileiras cumprem a Lei da Aprendizagem na contratação de seu quadro de funcionários jovens. Nesse cenário, fica evidente o inaceitável descaso do poder público com as ações que garantem o correto cumprimento das leis, a exemplo da fiscalização contínua das instituições produtivas, frequentemente, negligenciada. Tal conjuntura contribui para a manutenção da preferência do mercado de trabalho para a contratação de pessoas mais experientes, o que reduz as oportunidades da juventude no ingresso nesse setor.
Outrossim, esse quadro é agravado pela educação pública deficitária do país. De acordo com Anísio Teixeira, o ensino de qualidade e democratizador forma cidadãos mais conscientes e mais preparados para a vida em sociedade. Contudo, o processo educativo brasileiro, caracterizado pela frequente falta de recursos humanos e materiais, por vezes, inviabiliza o desenvolvimento das habilidades e das competências exigidas pelo de trabalho nos jovens, em especial nos mais carentes. Exemplo disso é a baixa qualificação dos professores de inglês - somente 45% destes têm formação em línguas estrangeiras, segundo o Censo Escolar 2017 - conhecimento que é bastante solicitado pelos empregadores. Isso amplia o desestímulo a contratação dos jovens.
Dessa forma, urge que o Estado brasileiro tome medidas que mitiguem as dificuldades da juventude no mercado de trabalho. Destarte, o Ministério da Justiça deve ampliar as fiscalizações nas empresas, por meio de auditorias fiscais e pela maior contração de pessoal especializado nessas ações, bem como estimular a contratação dos jovens, mediante incentivos fiscais, com redução de impostos, a fim de garantir o cumprimento da lei. Por fim, o Ministério da Educação deve, por meio de um programa de capacitação, possibilitar a qualificação dos professores, como os de inglês, para garantir o preparo dos futuros profissionais.