O mercado de trabalho para o jovem contemporâneo: desafios e oportunidades

Enviada em 03/08/2020

Com o advento da Revolução Tecno-Científico-Informacional, o mundo sofreu diversas alterações em seus paradigmas sociais, sendo que muitas delas ocorreram no campo do mercado de trabalho. Assim, o cenário atual das relações empregatícias apresenta diversos desafios, principalmente para os mais jovens, pois, além da ineficiência legislativa em absorver as mudanças hodiernas no contexto trabalhista, cada vez mais torna-se necessário um trabalhador mais qualificado, devido à complexidade das atividades contemporâneas.

Mormente, a falta de políticas públicas que acompanhem as mudanças atuais torna a problemática mais expressiva. Nessa conjuntura, o filósofo contratualista John Locke conceitua o dever do Estado em prover o bem-estar social do povo. Entretanto, os direitos trabalhistas, expressados na legislação pela “Consolidação das Leis Trabalhistas” (CLT), não alcançam muitos trabalhadores, os quais se sujeitam a situações precárias de emprego, em um processo conhecido como “uberização do trabalho”. Dessa maneira, é necessária a atualização das leis para atender às necessidades da sociedade e proteger as relações empregatícias.

Ademais, a matriz das habilidades cognitivas e interpessoais para inserção no mercado de trabalho torna-se cada vez mais exigente. Sob essa ótica, a modernização tecnológica ocorrida na Quarta Revolução Industrial automatizou muitas atividades dantes executadas de forma manual. Nesse contexto, a Fundação Getúlio Vargas indicou em um estudo que quase metade dos empregos existentes no início deste século se tornarão obsoletos em 2030, o que ilustra o grande desafio dos jovens em se especializar cada vez mais para ter chances de conseguir um bom emprego.

Portanto, medidas são necessárias para auxiliar os jovens a adentrarem no mercado de trabalho. Destarte, o Poder Legislativo da União, composto pela Câmara dos Deputados e Senado Federal, deverá atualizar a CLT para adequação ao cenário contemporâneo, por meio da edição de uma Lei Complementar, com o intuito de assegurar os direitos trabalhistas para os trabalhadores em todas as modalidades de emprego. Outrossim, o Governo Federal deverá disponibilizar cursos profissionalizantes, em parcerias com os Serviços Sociais Autônomos (SESI, SESC, SENAI, etc), a fim de qualificar a mão-de-obra nacional para adequação às necessidades das empresas no cenário atual. Por conseguinte, os trabalhadores se tornarão mais preparados e respaldados para exercer a sua profissão.