O mercado de trabalho para o jovem contemporâneo: desafios e oportunidades

Enviada em 11/08/2020

Durante a Primeira Revolução Industrial, crianças e adolescentes eram submetidos a extensas jornadas de trabalho, que podiam passar das dezesseis horas diárias. Muito se fez no decorrer dos anos para combater o trabalho infantil, e garantir a todos os direitos básicos que hoje são estabelecidos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente. Hoje, entretanto, peca-se muitas vezes pela ação contrária: a falta de inserção do jovem no mercado de trabalho. Não se trata, de forma alguma, de uma referência ao trabalho infantil, mas sim da clara necessidade de proporcionar o desenvolvimento do protagonismo e do empreendedorismo ainda na infância. Para tal, visto que a escola é o principal local de formação social e cidadã, carece-se de políticas públicas voltadas para a inserção de tais práticas no currículo escolar, de forma integrada ao conteúdo acadêmico.

Cabe pontuar, a principio, que apesar do recente estímulo ao ensino técnico, com a reformulação do ensino médio em 2017, ainda falta o incentivo ao protagonismo jovem. Sem aprender a “tomar as rédeas da própria vida”, aumentam-se as chances de que o adolescente saia da escola sem noção do que buscar para o futuro. Esse problema se prova justamente nos 23% da juventude brasileira que não trabalham e nem estudam, os famosos jovens nem-nem.

Além disso, é preciso ressaltar que a falta de estímulo ao empreendedorismo e ao protagonismo são ainda mais prejudiciais nas classes mais baixas. Nessa situação, isso significa a perpetuação do histórico de pobreza, além de ampliar as dificuldades da emancipação social. Se, como afirma o popular trecho bíblico, “o trabalho dignifica o homem e o torna livre”, as dificuldades para entrar no mercado acentuam a prisão do jovem de baixa renda à condição de miséria, que ultrapassa gerações.

Portanto, é evidente a necessidade de políticas públicas que possam reverter a situação. Nesse sentido, uma alternativa a ser implantada pelo Ministério da Educação são as empresas juniores, com benefícios já comprovados no ensino superior, e que podem ser adaptados para os ensinos fundamental e médio. Por meio de uma abertura na grade curricular, pode-se criar um espaço interdisciplinar onde os estudantes tenham a oportunidade de se organizar como empresas reais, sob orientação de um professor, desenvolvendo projetos coniventes com problemas e necessidades existentes na sociedade. Dessa forma, trbalha-se não só o protagonismo e o empreendedorismo, mas também a criatividade e a resolução de problemas — habilidades que são essenciais no mercado de trabalho. Com isso, busca-se proporcionar aos jovens o desenvolvimento profissional ainda durante a  infância e adolescência, transformando o trabalho não apenas em uma obrigação, mas fazendo com que seja visto como uma oportunidade de contribuir para o mundo e evoluir financeira e socialmente.