O mercado de trabalho para o jovem contemporâneo: desafios e oportunidades

Enviada em 03/08/2020

O bônus demográfico brasileiro sofrido na década anterior foi de extrema importância para o crescimento massivo da População Economicamente Ativa (PEA). Com o advento do Sars-CoV-2 (vírus cuja infecção causa a Covid-19), a tecnologia que, segundo Steve Jobs, move o mundo, passou a ter um peso ainda maior na vida do brasileiro. Consoante, as empresas estão realizando as ações possíveis por meio do escritório doméstico - conhecido popularmente como “Home Office”. Contudo, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 1 em cada 4 brasileiros não possui acesso à internet, impedindo o trabalho em casa e criando uma parcela de excluídos que, segundo Pierre Lévy, é consequência de toda nova tecnologia. Dessa forma, é notável que, apesar das oportunidades de evolução no meio profissional apresentadas, a distribuição do mercado de trabalho contemporâneo não apresenta oportunidades democráticas.

Primeiramente, é visível o alto investimento brasileiro em tecnologia. Isso, visto que, de acordo com a Associação Brasileira das Empresas de Software, sua demanda ultrapassa os 61 bilhões por ano. Entretanto, a evolução das Millennials e Startups - empresas que já atuavam em casa e outros ambientes de trabalho antes da pandemia - cresceu exponencialmente assim como a demanda por peças de computador e escritório - como computadores e cadeiras. Assim, é evidente o Coronavírus como catalisador do processo de evolução forçada do mercado de trabalho moderno.

Paralelamente, é perceptível a falta de acesso de grande parte da população à internet e as ferramentas necessárias para adentrar no mercado de trabalho em meio a crise atual. Assim, uma vez que os subsídios Estatais não cobrem a demanda para vivência básica e cumprimento do isolamento social imposto à população, ocorre a inflação dos produtos, impossibilitando ainda mais o embarque no mercado de trabalho que, atualmente, encontra-se totalmente dependente dessas ferramentas virtuais. Desse modo, é notório a disparidade socioeconômica e antidemocrática oferecida aos jovens.

Portanto, percebe-se que, apesar do crescimento e evolução do mercado de trabalho para lidar com desafio da pandemia, esse mesmo não oferece oportunidades igualitárias, favorecendo a exclusão. Destarte, é necessário que o Ministério da Economia, juntamente com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, incentive as empresas a fornecerem subsídio aos empregados para trabalho em casa e, também, promova nas instituições públicas o ensino básico de informática, por meio de multas, isenções fiscais e políticas públicas educacionais, para que hajam ferramentas e conhecimento necessário para a imersão do jovem no novo mercado de trabalho, trazendo oportunidades e movendo o mundo com a tecnologia, porém amenizando a exclusão dita por Lévy.