O mercado de trabalho para o jovem contemporâneo: desafios e oportunidades
Enviada em 03/08/2020
Com a ascensão do protestantismo, no século XVI, as relações trabalhistas e o processo de “dignificação” do ato de trabalhar se tornaram pilares para a sustentação da sociedade capitalista moderna. Contemporaneamente, esses valores ainda se fazem fortemente presentes, uma vez que a inserção da população jovem no mercado de trabalho se torna uma temática cada vez mais latente na sociedade. Logo, mesmo com a crescente existência de oportunidades aos jovens de se introduzir no mercado trabalhista, as estruturas sociais do Brasil ainda limitam muito a realização desse processo.
Convém ressaltar, em primeiro plano, que a noção de inatividade econômica vinculada ao jovem é um fato social na sociedade brasileira e, segundo Émille Durkheim, um fato social por ser dotado de coercitividade, generalidade e exterioridade, é uma concepção inerente ao povo e intrínseca ao corpo social. Nesse sentido, a instituição da lei do aprendiz modifica a estrutura do fato social e faz com o jovem possa, socialmente, abandonar o posto de inativo economicamente, já que cria-se uma vasta gama de oportunidades e incentiva-se a abertura das mais diversas empresas para a sua inserção no mercado de trabalho. Sendo assim, a ampliação das vagas voltadas a esse público modifica as noções de empregabilidade juvenil no país e também intensifica o interesse do próprio jovem que vê a oportunidade mais acessível.
Entretanto, as enormes disparidades sociais no país limitam o acesso dos jovens às vagas disponibilizadas. De acordo um estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada(IPEA), cerca de 23% dos jovens brasileiros não trabalham ou estudam, assim, seja pela necessidade de cuidar de familiares ou pela dificuldade de acesso, grande parte dos jovens ainda se afastam do mercado trabalhista. Dessa forma, é evidente como as condições socioeconômicas da população interferem completamente no acesso às oportunidades no país, tendo em vista a expressiva parcela popular que ainda é invisibilizada e nem sequer consegue acessar o que lhes é garantido.
Perante o exposto, é mister que o Estado adote medidas para amenizarem o quadro atual. Cabe ao Ministério da Cidadania, por meio de órgãos como os CRAS’s, a criação de um projeto a ser realizado nas regiões mais vulneráveis dos municípios, o qual promova visitas, aconselhamentos e incentivos financeiros aos jovens interessados em entrar no mercado de trabalho, posto que que incentivos sociais têm um imenso poder transformador, a fim de que as instabilidades socioemocionais desses jovens sejam amenizadas. Somente assim, o Brasil poderá superar, aos poucos, parte dessas disparidades sociais.