O mercado de trabalho para o jovem contemporâneo: desafios e oportunidades

Enviada em 04/08/2020

De acordo com o artigo 205 da Constituição Federal Brasileira de 1988, também conhecida como ‘‘Constituição Cidadã’’, a educação deve capacitar os jovens à cidadania e ao mercado de trabalho. Sendo assim, a Lei das Diretrizes e Bases confere a esses cidadãos, ainda inexperientes, maiores oportunidades de inserção ao ramo. Entretanto, desafios como a insuficiente disponibilidade de cursos profissionalizantes e a dificuldade para os jovens conseguirem o primeiro emprego, configuram desafios que necessitam elucidação para que, certamente, seja possível que as vítimas desse legado atuem no mercado de trabalho.

Em primeira análise, Anthony Giddens, sociólogo estruturalista contemporâneo (1938-2017), por meio de sua obra ‘‘Mundo em Descontrole’’, afirma que a sociedade e o capital são constantemente influenciados pela capacitação e adaptação de suas estruturas. Seguindo essa linha de raciocínio, torna-se claro que a esporádica quantidade de cursos técnicos voltados aos jovens no país retrata uma má estruturalização educacional que, além de prejudicar tais sujeitos, consequentemente é destoante à economia nacional. Assim sendo, é indubitável que o papel educativo do Estado, em consonância à Constituição, não está sendo, de fato, executado.

Ademais, a 4ª Geração Constitucional, concebida no século XXI, resultado da globalização dos direitos humanos, cuja qual fora criada pelo cientista político brasileiro Paulo Bonavides, demonstra a teoria do Paradoxo da Experiência que implica no ponto de vista de empregadores que priorizam currículos de pessoas com experiência no mercado de trabalho. Dessa forma, é evidente que essa problemática situa-se em um ciclo permanente, visto que para o jovem obter experiência, primeiramente é necessário oportunidades para que ele seja empregado. Dessarte, é possível afirmar que tal paradoxo é existente na sociedade brasileira e é prejudicial à inserção dos jovens nesse meio.

Portanto, para que a ideia de Giddens não seja apenas proposição teórica, mas torne-se realidade e o Paradoxo da Experiência seja elucidado no Brasil, é necessária ação do Governo. Por conseguinte, o Ministério da Educação, em parceria com empresas privadas e estatais, deve, mediante cursos profissionalizantes nas escolas, preparar os alunos para o mercado de trabalho. Além disso, as empresas parceiras têm que proporcionar excursões em seus setores e cotas de emprego para os alunos para que, além de auxiliar vocacionalmente esses, possibilitar a inserção ao primeiro emprego. Dessa maneira, de certa forma, o Estado estará atuando fidedignamente ao que foi estabelecido pela Constituição Cidadã de 1988.