O mercado de trabalho para o jovem contemporâneo: desafios e oportunidades

Enviada em 05/08/2020

Na literatura clássica “Admirável Mundo Novo”, livro do escritor inglês Adous Huxley, é retratada uma sociedade extremamente organizada, de modo que cada cidadão possui um emprego e a sua função. Em contrapartida com o mundo literário, essa realidade se torna uma utopia para os jovens no mundo hodierno, visto que são evidenciadas as dificuldades da inserção do jovem no mercado de trabalho. Dessa forma, entre os impasses que corroboram para o agravamento e a persistência da problemática, a ineficiência das políticas públicas, bem como a má gestão do sistema educacional brasileiro encontram-se como os principais.

Segundo o renomado sociólogo americano, Charles Mills, a ausência de políticas adequadas torna-se um dos principais fatores dos problemas da população. Análogo ao pensamento sociológico, os ínfimos mecanismos de inclusão do jovem no mercado de trabalho impulsionam o impasse, haja vista que esses projetos, a exemplo do programa Jovem Aprendiz, aumentam a empregabilidade e a renda. No entanto,  a adesão aos programas é baixa, embora a Constituição Federal Brasileira apresenta uma lei que determina a contratação de aprendizes pelas empresas de médio e grande porte. Nesse ínterim, urge políticas públicas que relacionem o ensino profissionalizante com o contexto das empresas.

Outrossim, vale ressaltar que o sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, na obra “Raízes do Brasil”, afirma que os gestores entendem o Estado como uma extensão da família, de tal forma que justifica a precariedade do sistema educacional brasileiro, o qual é fator decisivo na qualificação profissional do indivíduo. Todavia, o reconhecimento devido da importância da educação para a profissionalização do jovem não é notório, posto o aumento da má formação de profissionais, nas instituições de ensino superior, gerado, sobretudo, pela “comercialização” da educação no país. Logo, conclui-se a necessidade de flexibilizar o sistema de aprendizagem educacional para o desenvolvimento profissionalizante do jovem.

Infere-se, portanto, que o Poder Público deve, pois, ampliar os mecanismos de adesão do jovem nas empresas, a exemplo do programa Aprendizagem Profissional, por meio da  diminuição da taxação de tributos às empresas que adotarem os programas, a fim de aumentar o número de jovens trabalhadores. Isso à parte, o Estado deve destinar verbas ao oferecimento de cursos técnicos mediante políticas relacionadas ao desenvolvimento de aprendizagem e estágio. Além disso, é necessário a participação efetiva entre o meio acadêmico e o mercado de trabalho, bem como de organizações privadas, como a Fundação Mudes, cujas palestras e cursos agregarão na qualificação profissional do jovem. Em suma, tais medidas minimizarão os entraves na entrada do jovem no mercado de trabalho.