O mercado de trabalho para o jovem contemporâneo: desafios e oportunidades

Enviada em 07/08/2020

Atualmente, de acordo com o IBGE, o desemprego entre os jovens brasileiros beira os 30%. Esse dado revela que a juventude enfrenta obstáculos para se inserir no mercado de trabalho, entre os quais, o maior é a falta de qualificação profissional. Entretanto, apesar dos desafios, as novas demandas relacionadas ao desenvolvimento tecnológico têm se apresentado como uma janela de oportunidade para o ingresso desse grupo no mundo do trabalho.

Em primeiro lugar, é importante destacar que a ausência de qualificação profissional decorrente da baixa escolaridade é um dos principais fatores limitantes para a entrada do jovem no mercado. Isso pode ser constatado ao se observar dados do IBGE, segundo os quais, apenas 20% dos brasileiros concluíram o ensino superior. Esse índice tão baixo está relacionado à grande pobreza existente no país, a qual faz com que muitos jovens precisem trabalhar para complementar a renda familiar. Essa necessidade, por sua vez, dificulta a progressão nos estudos e resulta, geralmente, no abandono das atividades escolares e acadêmicas. Dessa forma, torna-se evidente a necessidade de maiores investimentos em políticas de assistência social a fim de facilitar o acesso à educação para jovens socialmente vulneráveis.

Embora existam grandes dificuldades na jornada até o mercado de trabalho, o desenvolvimento tecnológico tem aberto novas portas para o jovem brasileiro. Isso porque esse processo teve uma série de desdobramentos como a criação de redes sociais, o desenvolvimento de aplicativos para celular e o aumento do “e-commerce”. Todas essas atividades, segundo o filósofo Pierre Lévy, criaram uma demanda por novos profissionais capazes de lidar com as tecnologias inerentes às sociedades contemporâneas hiper conectadas. Um exemplo disso é a escassez, não só no Brasil como em todo o mundo, de cientistas de dados habilitados para trabalhar com “Big Data”, ou seja, um grande conjunto de dados a partir dos quais é possível extrair várias informações de interesse socioeconômico. Assim, percebe-se que, apesar das dificuldades, existem nichos do mercado ainda pouco explorados e com potencial de crescimento, os quais podem ser a porta de entrada para muitos jovens no mundo do trabalho.

Portanto, levando-se em consideração os dois aspectos abordados, o Ministério da Cidadania e o da Educação devem atuar em conjunto no sentido de ampliar políticas de assistência social para jovens que tenham dificuldade em dar continuidade aos estudos. Isso deve ser feito por meio da ampliação do orçamento destinado ao financiamento estudantil, à criação de bolsas de estudo e ao custeio de despesas com alimentação, transporte e compra de materiais.