O mercado de trabalho para o jovem contemporâneo: desafios e oportunidades
Enviada em 06/08/2020
Segundo a Constituição Federal de 1988, todo cidadão tem direito à vida, à liberdade e à igualdade. Contudo, a igualdade referente aos direitos fundamentais não está sendo plenamente garantida, visto que as políticas públicas, as oportunidades e os meios de capacitação para a inserção ao mercado de trabalho estão cada vez mais precários, sobretudo, para a população mais jovem. Com isso, é necessário uma discussão efetiva acerca dessa problemática.
A priori, é relevante destacar que o sistema capitalista selvagem tem tornado o mercado de trabalho cada vez mais restrito, exigindo boas formações e experiências. Entretanto, a educação brasileira está sendo gradativamente sucateada, gerando jovens com defasagem escolar e com poucas oportunidades de prosperidade trabalhista por conta da falta de capacitação. De acordo com a filosofia do pedagogo Paulo Freire, apenas a educação é capaz de mudar a sociedade e, sob essa perspectiva, é necessário investimentos desde o ensino básico para cessar o impasse que o jovem enfrenta para se encaixar aos requisitos trabalhistas.
Ademais, é válido evidenciar que o Brasil vive o mito da meritocracia, o qual afirma que todo indivíduo é capaz de alcançar grandes posições sociais apenas com seu desempenho, sem a ajuda da sociedade para estimular suas aptidões. No entanto, essa filosofia não passa de uma ilusão, visto que o elevado índice de desigualdade social não permite igualar toda a sociedade para concorrer a mesma posição. Esse fato pode ser exemplificado na música do rapper mineiro Djonga, o qual diz que “meritocracia pra pobre é só se a frase for: morreu porque mereceu” demonstrando que a população menos privilegiada não tem as mesmas oportunidades por seus méritos quanto os privilegiados, principalmente em relação ao jovem sem experiência de trabalho, intensificando ainda mais a dificuldade de inserção em empregos.
Portanto, é inegável dizer que o jovem enfrenta muitos impasses para ingressar no mercado de trabalho. A resolução dessa problemática é responsabilidade governamental, juntamente com os órgãos trabalhistas, seja criando políticas públicas que garantem a participação do jovem no mercado trabalhista através de parcerias com as empresas, seja investindo em cursos de capacitação com grande excelência através de planejamentos em conjunto com o Ministério da Educação. Essas medidas teriam a finalidade de desenvolver essa parcela da população de forma adequada e, possivelmente, reduzir os desafios da inserção do jovem no mercado de trabalho. Afinal, um país só é definitivamente democrático quando os direitos são igualmente garantidos a todos.